Um estranho no ninho
Thiago Corrêa
Até pouco tempo a música alternativa de Pernambuco era classificada em duas grandes tendências. De um lado havia os indies (com um som mais rock, feito de guitarras rápidas e espírito soturno); e do outro o pessoal do Original Olinda Style, com influências de ritmos latinos e presença marcante da percussão e dos metais. Mas em meio a essas vertentes, tem aparecido vozes dissonantes como o grupo Nuda, que lança o EP “Menos Cor, Mais Quem”, hoje, às 17h, com show na Livraria Cultura.
Nas cinco faixas do EP, a banda propõe novos caminhos, revelando outros horizontes além dos blocos já consolidados e mesmo de outros grupos que não se encaixam nesses rótulos. Embora a sonoridade do Nuda flutue no meio musical pernambucano como um pequeno satélite, fechado dentro do seu universo próprio, ela soa redonda e madura.
As experimentações parecem ser autoconscientes, onde o ímpeto oxigenador do acaso se potencializa com trabalho e cuidado nos detalhes. O resultado é um disco incomum, que reúne desde o esoterismo estético de “Alumia” à metalinguagem bossa novista de “Deus, às Estéticas”, passando pela delicada “Colibrilho” e da instigante “Fato: Mamado Vado”.
O EP está sendo vendido em formato SMD, o que garante o preço a R$ 5. As músicas foram gravadas no Fábrica Estúdios, nos meses de agosto de setembro do ano passado. O Nuda é formado por Rapha (voz e guitarra), Artur Dossa (guitarra e violão), Henrique (baixo) e o baterista Scalia, responsável pela autoria de todas as faixas. No disco, a banda contou com as participações de Judá Dowsley na percussão e de Piero Bianchi, tocando teclado em “Duns”.
Serviço
Nuda, lançamento do EP “Menos Cor, Mais Quem”
Hoje, às 17h
Livraria Cultura, Recife Antigo
Ingresso: 1 quilo de alimento não-perecível

