19
Jul

Menos cor, mais quem - Nuda

Um estranho no ninho
Thiago Corrêa

Até pouco tempo a música alternativa de Pernambuco era classificada em duas grandes tendências. De um lado havia os indies (com um som mais rock, feito de guitarras rápidas e espírito soturno); e do outro o pessoal do Original Olinda Style, com influências de ritmos latinos e presença marcante da percussão e dos metais. Mas em meio a essas vertentes, tem aparecido vozes dissonantes como o grupo Nuda, que lança o EP “Menos Cor, Mais Quem”, hoje, às 17h, com show na Livraria Cultura.

Nas cinco faixas do EP, a banda propõe novos caminhos, revelando outros horizontes além dos blocos já consolidados e mesmo de outros grupos que não se encaixam nesses rótulos. Embora a sonoridade do Nuda flutue no meio musical pernambucano como um pequeno satélite, fechado dentro do seu universo próprio, ela soa redonda e madura.

As experimentações parecem ser autoconscientes, onde o ímpeto oxigenador do acaso se potencializa com trabalho e cuidado nos detalhes. O resultado é um disco incomum, que reúne desde o esoterismo estético de “Alumia” à metalinguagem bossa novista de “Deus, às Estéticas”, passando pela delicada “Colibrilho” e da instigante “Fato: Mamado Vado”.

O EP está sendo vendido em formato SMD, o que garante o preço a R$ 5. As músicas foram gravadas no Fábrica Estúdios, nos meses de agosto de setembro do ano passado. O Nuda é formado por Rapha (voz e guitarra), Artur Dossa (guitarra e violão), Henrique (baixo) e o baterista Scalia, responsável pela autoria de todas as faixas. No disco, a banda contou com as participações de Judá Dowsley na percussão e de Piero Bianchi, tocando teclado em “Duns”.

Serviço
Nuda, lançamento do EP “Menos Cor, Mais Quem”
Hoje, às 17h
Livraria Cultura, Recife Antigo
Ingresso: 1 quilo de alimento não-perecível

18
Jul

FIG 2008 - 1o. dia

Alceu Valença incendeia o público
Thiago Corrêa

GARANHUNS - O Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) completou este ano a maior idade, dando sinais de amadurecimento profissional, ao mesmo tempo em que mantém sua vitalidade em propor sempre novos horizontes musicais ao público. Na noite de abertura da sua 18ª edição, na última quinta-feira, no show de Alceu Valença, o que se viu foi um desses momentos em que a reação do público, mesmo numa noite de 16º graus e embaixo de uma chuva fina, confirma o êxito do FIG.

A Praça Guadalajara até começou fria, com uma platéia pequena para assistir à primeira atração da noite. O show cênico ao som do maracatu do Sagração das Etnias passou quase batido pelas poucas pessoas que iam chegando ao local. Após uma queima de fogos, o clima começou a esquentar.

A banda Casa de Farinha, de Brasília, subiu ao palco por volta das 22h20, em grande estilo. Para uma platéia ainda dispersa, os dois homens do grupo – André Togni e Lupa – fizeram um belo dueto na percussão, antes da entrada das quatro mulheres cantando em coro uma espécie de ciranda. As experimentações percussivas da banda, usando instrumentos incomuns, garantiram a boa recepção dos que prestavam atenção ao show.

A faísca extraída pela Casa de Farinha logo se espalhou durante o show de Paulo Moura e Josildo Sá. Moura mostrou todo o seu virtuosismo no clarinete, combinando o instrumento à base de forró. O público aproveitou o ritmo para dançar.

Com o fogo já espalhado, Alceu Valença entrou em ação por volta de 1h30, provocando uma migração da platéia para as proximidades do palco. Demonstrando pleno controle de palco, Alceu transformou o público em atração, fazendo-o participar do show como parte da banda, num enorme coro interativo, reagindo a cada chamado do cantor. Uma reação que não diminuiu nas menos conhecidas “Solidão” e “Depois do Amor”, e rendeu um bis com os sucessos “La Belle de Jour”, “Morena Tropicana” e “Bicho Maluco Beleza”, ultrapassando às 3h.

* O repórter viajou a convite da Fundarpe.

10
Jul

Acima da Chuva - Volver

Indie rock meio MPB
Thiago Corrêa

Desde a semana passada, o disco “Acima da Chuva”, segundo trabalho da pernambucana Volver, pode ser baixado na página do grupo no MySpace (www.myspace.com/volverbrasil). De forma sorrateira, as 11 faixas do álbum ficarão disponíveis para download por um mês, até o lançamento do disco físico, pelo selo Senhor F. Para ter as músicas, o internauta precisa se inscrever no MySpace e baixá-las uma por uma.

O sacrifício, no entanto, vale a pena. “Acima da Chuva” é um disco bem resolvido, cheio de hits para serem cantados pelo público que calça “All Star”. O vocalista Bruno Souto mostra segurança e desenvoltura, comandando boa parte das músicas do disco. Sua forma de cantar lembra o grupo Los Hermanos, dando um tom de MPB à pegada rock da banda, repleta de virtuosos solos de guitarra.

É no equilíbrio dessas forças que o disco vai se formando. Há os momentos mais MPB, outros mais rock ou mesmo partes em que os ingredientes se fundem plenamente. Exemplo disso é “Pra Deus Implorar”, com batida forte, riffs hipnóticos aliadas ao tom romântico da voz e a letra de Souto. Um tema que a banda ainda explora nas delicadas “Dispenso”, “Natural”, “Dia Azul”, na faixa-título “Acima da Chuva” e no jogo de metalinguagem de “Coração Atonal”.

Mas é seguindo o instinto rock que a Volver realmente mostra todo o seu potencial. Na faixa “Não Sei Dançar”, o grupo desperta seu lado indie, mandando ver um rock com guitarras rápidas e um vocal contido, de fazer frente a qualquer guitar band de fora. Outro ponto alto é a introdução de guitarras em “Tão Perto, Tão Longe”, que, com a aparição da banda, lembra os bons momentos do início da carreira do rei Roberto Carlos.

Além de Bruno Souto, a Volver ainda é formada por Fernando Barreto e Zeca Viana. Para a gravação do álbum, a banda contou com o reforço do guitarrista Diógenes Baptistella, que já fez parte do grupo. As gravações acontecerem no estúdio Mister Mouse e teve produção da própria Volver, mais a dupla de Léo D. e William P.

10
Jul

Segundo Ato - O Teatro Mágico

Sonho no palco
Thiago Corrêa

Em apresentação única por aqui, o grupo paulista O Teatro Mágico promete repetir o sucesso que conseguiu na primeira visita ao Recife, no ano passado, quando atraiu mais de sete mil pessoas em dois espetáculos. O show, que acontece às 21h de hoje, no Teatro da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), marca o lançamento do novo trabalho do grupo, chamado “Segundo Ato”.

O grupo continua sua trajetória na tentativa de unir duas linguagens artísticas, trabalhando a música por meio do teatro. A ligação com a arte cênica se mostra mais explícita em “Amadurecência” e “A Metamorfose ou Os Insetos Interiores ou O Processo”, onde a voz do narrador predomina as ondas sonoras, sendo apenas acompanhada de efeitos da sonoplastia para elevar o efeito dramático.

Não que isso deixe de acontecer no restante do disco. A diferença é que, nas outras canções, os instrumentos são mais presentes e melodiosos, dando mais suavidade rítmica ao texto. De maneira geral, as músicas são visuais e narrativas, sugerem imagens na medida em que vão desfiando os enredos por trás das canções. Esses elementos terminam sendo utilizados pelo grupo para compor o cenário, a iluminação e o figurino do espetáculo.

Mas apesar de toda essa veia teatral, “Segundo Ato” é um disco. Com exceção das duas já citadas, as outras faixas funcionam como música, além de climatizar o espetáculo. A base instrumental é bem trabalhada, construída em cima dos pilares do rock (guitarra, baixo e bateria), mas combinada com o tempero de bandolim, violino, gaita, flauta, piano e saxofone.

O resultado são canções que variam entre rock, forró, samba e MPB. Há espaço ainda para experimentações como “Opus Erectus (Allegro ma nem tanto)”, cantada em falsete. Destaque para a música “O Mérito e o Monstro”, a sutileza de “Pena” e as participações especiais de Silvério Pessoa, em “Abaçaiado”, e Zeca Baleiro, em “Xáneu Nº 5″. A diversidade de ritmos, no entanto, não tiram o foco de O Teatro Mágico. As formas exploradas pelo grupo são apenas um caminho para se chegar no universo dos sonhos.

07
Jul

Pareço Moderno - Cérebro Eletrônico

Retrô com gosto de clássico
Thiago Corrêa

Mesmo para quem cobre música e recebe disco quase todo dia, é difícil encontrar algo que realmente mereça espaço. Mas, quando menos se espera, surgem álbuns que nos fazem voltar ao tempo e esquecer o resto do mundo, como se o novo amuleto justificasse todas as nossas idiossincrasias. E eis que, sem alarde, desponta o talismã “Pareço Moderno”, segundo trabalho da banda paulista Cérebro Eletrônico.

Antes de falar sobre a pérola musical, porém, é preciso lembrar que o grupo não chega a ser um completo desconhecido para o público pernambucano. Seu projeto paralelo, Jumbo Elektro, tocou por aqui no festival Rec Beat, no carnaval de 2006. As propostas, claro, são outras, embora haja resquícios da corrente pop-escrachada da Jumbo Elektro.

A principal diferença está nas dosagens. A Cérebro Eletrônico diminui as rédeas da anarquia, fazendo um rock misturado a barulhinhos de robô dos anos 80 e tropicalismo, nas várias vertentes que o termo tende a se espalhar. Tem seu lado Caetano Veloso, que aflora na magnífica “Dê”, passa pela tangente das soluções irônico-criativas de Tom Zé e se aproxima dos Mutantes, com arranjos inteligentes e um tom de brincadeira que beira a psicodelia.

O resultado é uma construção que poderia ser confundida com um castelo de cartas (dada a sua delicadeza, requinte e precisão), mas com a solidez de uma muralha antiga. A beleza de “Pareço Moderno” está justamente nesse jogo contraditório que a banda propõe, sugerindo caminhos para, em seguida, subvertê-los. Algo que já pode ser percebido pelo título do disco. Ainda que o grupo faça uma linha retrô, o som possui o frescor da liberdade criativa.

Ao contrário de outros exemplos, as experimentações sonoras de Tatá Aeroplano (voz e efeitos com brinquedos), Fernando Maranho (guitarra e voz), Izidoro Cobra (baixo e voz), Dudu Tsuda (teclado e voz) e Gustavo Souza (bateria e voz) não implicam na perda de emoção. Apesar do nome Cérebro Eletrônico, que sugere a racionalidade humana aliada à frieza das máquinas, a banda tem alma, grande o suficiente para se espalhar pelos ouvidos do público e despertar alguma coisa em nosso ser.

07
Jul

Bossa Eterna + AcariOcamerata + Chora Cartola

A voz dos instrumentos
Thiago Corrêa

Ainda que de forma modesta, a música instrumental vem procurando conquistar o gosto popular. Recentemente foram lançados três discos, cada qual com uma proposta diferente, mas onde, em nenhum deles, a palavra tem vez. Nem faz falta. O som tirado com maestria dos instrumentos mostram que eles já dão conta do recado. Passam a mensagem, com nuances capazes de traduzir saudades, lamúrias e alegrias.

No disco “Bossa Eterna”, o trombonista Raul de Souza se junta ao mestre João Donato, mais Luiz Alves e Robertinho Silva. Juntos, eles fazem uma homenagem aos 50 anos da bossa nova, recriando músicas de Tom Jobim e da parceria entre Baden Powell e Vinícius de Morais. O álbum ainda traz duas composições Donato, “Malandro” e “Lugar Comum”, e três de Raul de Souza.

Nas músicas, o trombone se destaca, atuando quase sempre no primeiro plano, acompanhado ao fundo pelo piano preciso de Donato, percussão e baixo acústico. Outro atrativo do disco é ouvir na faixas “Pingo D’Água” e “A La Donato” o souzabone, espécie de trombone elétrico com quatro válvulas criado por Raul de Souza. A introdução da primeira lembra o esquente de uma orquestra de frevo, mas logo o piano acena o caminho da melodia, seguido pelos outros instrumentos.

Seguindo uma linha mais erudita, o grupo carioca AcariOcamerata faz releituras de composições de Carlos Gomes, Heitor Villa-Lobos, Bach, Guerra Peixe, Egberto Gismonti e Radamés Gnattali. Fazendo uso de cavaquinhos, bandolim, violas caipiras e flauta; a camerata consegue trazer a genialidade desses compositores para um plano mais próximo dos ouvintes, dando um toque de brasilidade e regionalismo às músicas.

Já a coletânea “Chora Cartola”, produzido por Henrique Cazes, é uma homenagem diferente ao centenário do mestre do samba carioca. O disco traz versões, em ritmo de chorinho, de quinze músicas de Cartola. A única faixa com voz é “A Canção que Chegou”, cantada por Moyseis Marques. Ao som do cavaquinho e do violão de sete cordas, as canções do sambista ficam ainda mais delicadas e melancólicas. Os acordes recriam a boêmia do bairro da Lapa, pedem um tom amarelado de pôr-do-sol e quase exigem lágrimas.

01
Jul

Uma distância de 80 anos

Uma distância de 80 anos
Thiago Corrêa

Em meio a agitação da feira que virou a rua Sete de Setembro, no bairro da Boa Vista, o escritor Gilvan Lemos tirava uma soneca pós-almoço em seu apartamento. Os sonhos do escritor foram interrompidos pelo barulho do interfone para lhe avisar a chegada da reportagem. Esbanjando simpatia, apesar da já conhecida timidez, o escritor pediu licença para pegar um “cigarrinho” no quarto ao lado, antes de dar uma entrevista sobre seus 80 anos, completados hoje.

Já sentado no sofá da sala, depois da desfeita do repórter em não aceitar um “cigarrinho”, Gilvan Lemos pergunta: “Você é da campanha?”. Diante da nova negativa, o escritor relaxa e explica: “Não deixo de fumar, fumo desde os 23 anos e nunca tive nada”. A saúde, porém, já não é a mesma. “Faz anos que não escrevo nada. Quando começo as palavras somem, deixo partes em branco. Olhe, está um sacrifício danado”, confidencia.

Nem mesmo as homenagens que vêm recebendo pelas oito décadas têm animado Gilvan Lemos. “Você leu as matérias sobre os 80 anos de Samico? É o mesmo caso, acho que isso é coisa dos Gilvans. Deviam era fazer uma missa de sétimo dia”, brinca ele. Ainda assim, como parte das comemorações, a editora Bagaço relança o romance “Espaço Terrestre”, sexta-feira, em São Bento do Una, onde nasceu o autor.

O município vem festejando a data desde o começo do ano. No dia 5 de janeiro, com uma sessão solene na Câmara Municipal com a presença de Gilvan Lemos, dando início a uma série de eventos como a realização de um concurso literário e aulas da Oficina do escritor Raimundo Carrero, além um selo comemorativo que deve ser lançado ainda este mês. Já a Bagaço, ainda planeja lançar uma caixa com os oito livros do autor publicados pela editora.

“Até disse a ela (Inês Koury, da Bagaço) que era perda de tempo, já pensou quanto essa caixa vai custar?”, disse Gilvan Lemos, evidenciando sua decepção com a literatura. Mesmo assim o brilho do menino que um dia desenhava histórias em quadrinhos em São Bento do Una retorna aos seus olhos quando lembra que conseguiu emplacar textos em duas coletâneas que estão para sair: “Antologia do Conto Nordestino”, da Record, e “Antologia do Estado de São Paulo”, reunindo contos que foram publicados no jornal paulista.

Uma chama que também cresce quando o octogenário fala de seus livros preferidos. “Geralmente é o último, mas gosto muito do ‘Emissários do Diabo’ e de ‘O Anjo do Quarto Dia’. Também gosto do primeiro (’Noturno sem Música’) porque tem muita coisa da minha vida em São Bento do Una”, lista. Da cidade, ele guarda algumas lembranças. “O primeiro livro causou uma revolução lá, acharam imoral, até o padre fez sermão”, recorda.

Apesar do desânimo para continuar a escrever, Gilvan Lemos ainda sabe onde encontrar histórias. “Às vezes, ela vem uma conversa da família, uma lembrança. Quando sento na máquina já sei o que fazer, agora tem coisa que se modifica, vai progredindo. Não escrevo romance, eu vivo o romance porque estou participando dele, até quando estou lendo”, explica.

Mas o entusiasmo fica por aí. “Estou desgostoso com a literatura. Vejo os livros que fazem sucesso, pego para ler e acho tudo uma porcaria”, suspira o escritor. Diante da vista do seu apartamento do décimo segundo andar, depois de fumar seu terceiro “cigarrinho”, Gilvan Lemos conta que quando chegou ao Recife, em 1949, ainda não havia nenhum prédio, como se ele já não combinasse com a paisagem à sua volta.

01
Jul

Radiola de Ficha

A angústia de Amy
Thiago Corrêa

Ao que tudo indica e se continuar assim, Amy Winehouse deve entrar para o time de meteoros que iluminaram a música com seu talento e depois partiram para a vastidão do universo, deixando um rastro de saudade. A cantora britânica reúne semelhanças que ultrapassam o talento dos pilares do rock, ela compartilha da mesma dor que levaram a morte ícones como Janis Joplin, Jim Morrison, Jimi Hendrix, Sid Vicious e Kurt Cobain.

Ainda que lamentável, sua presença no mundo pop revela o lado sombrio da fama, desconstruindo o imaginário popular e fortalecendo a importância da atitude para o rock. Perto da angústia de Amy Winehouse, quase que implorando sossego, os escândalos de Britney Spears e suas amiguinhas não passam de deslizes fúteis de dondocas, em busca de diversão.

Domingueira
Está cansado de deixar o domingo escorrer assistindo Faustão? Então uma boa pedida é se dirigir ao Instituto Ricardo Brennand e assistir a apresentação do pianista Guilherme Almeida e da cantora lírica Amaralis de Rebuá, especialista na obra de Heitor Villa-Lobos. A quarta edição do projeto Acordes para o Museu acontece a partir das 15h.

Mada
A pernambucana Sweet Fanny Adams foi anunciada como uma das atrações da décima edição do MADA, juntando-se ao time que já conta com a banda mineira Pato Fu, o carioca Seu Jorge e a menina prodígio Mallu Magalhães. O festival acontece em Natal, nos dias 14, 15 e 16 de agosto.

Tim
Foram divulgadas as primeiras atrações do Tim Festival, que acontece na segunda quinzena de outubro, em São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória, do Espírito Santo. Por enquanto nada bombástico, mas já dá para ouriçar as orelhas. Estão confirmados a cantora de jazz Stacey Kent, o saxofonista Sonny Rollins e os grupos indie Klaxons e The Gossip.

Blu-ray
Mal o consumo de DVDs se estabeleceu no Brasil e os artistas já estão lançando seus shows no formato de alta definição Blu-ray. Chegam por aqui vídeos de pesos-pesados como Queen, Elvis Costello, Black Crowes, Deep Purple, Santana, Yes e Alice Cooper. O problema, por enquanto, ainda é o preço. Os Blu-rays custam entre R$ 79,90 e R$ 99,90.

30
Jun

Banda Larga Cordel - Gilberto Gil

Auto-antropofagia
Thiago Corrêa

Após 11 anos, Gilberto Gil volta a lançar um disco com composições próprias, rompendo o silêncio criativo causado pelas atribuições burocráticas do cargo de ministro da Cultura. Como o título “Banda Larga Cordel” já evidencia, o álbum remete à proposta estética do Tropicalismo. A ligação do cordel (símbolo tradicional da cultura nordestina) com a internet pode ser entendida como uma metáfora às mudanças narrativas pelas quais nossa história tem sido contada e cantada.

Para isso, Gil revisa sua própria trajetória. Num processo de auto-antropofagia, o cantor baiano faz uma síntese das suas experiências sonoras. Ele retoma a veia forrozeira da trilha do filme “Eu, Tu, Eles” e do disco “São João Vivo”, passa pelo reggae do álbum “Kaya N’Gan Daya”, entra nos discursos dos tempos de ministro, flerta com o samba e chega ao seu fascínio pelas tecnologias já abordado em “Quanta”, seu último disco autoral.

A mistura de “Banda Larga Cordel”, porém, revela-se um tanto instável. O álbum cresce nas músicas mais orgânicas, como os xotes “Despedida de Solteira” e “Não Grude Não”, o reggae com letra moralista “Os Pais”, o axé tropicalista em homenagem ao centenário da mãe de Caetano Veloso “Canô” e os sambas “Amor de Carnaval”, “Samba de Los Angeles”, “Gueixa no Tatame” e “Formosa”, composta por Baden Powell e Vinícius de Moraes.

A Bossa Nova ainda volta cheia de barulhinhos eletrônicos em “Máquina de Ritmo”, que fala sobre as possibilidades musicais do computador, citando a tríade de Moreno, Kassin e Domenico. Até a relação de Gil com o Manguebeat tem vez no disco. Em “O Oco do Mundo”, o baiano transita por uma sonoridade que lembra a Nação Zumbi, mesclando batidas eletrônicas e guitarras distorcidas. O ponto alto, no entanto, é a faixa que dá nome ao disco. “Banda Larga Cordel” é um exemplo de como Gilberto Gil consegue combinar elementos sonoros para construir uma identidade própria.

Mas o disco perde força quando as canções se distanciam dos ritmos regionais. O contraponto mais claro é “A Faca e o Queijo”, música lenta construída em cima de uma base instrumental jazzística. A mão de Gil ainda parece desequilibrada no discurso pró-miscigenação “Outros Viram” e na filosófica “Não Tenho Medo da Morte”, além das estranhas, embora intrigantes, “La Renaissance Africaine” e “Olho Mágico”.

30
Jun

Momofuku - Elvis Costello

Elvis Costello com gosto de vinho envelhecido
Thiago Corrêa

Aos 53 anos, o veterano Elvis Costello parece não sentir os efeitos da idade. Em seu novo álbum “Momofuku”, ele apresenta um som vigoroso, cheio de vitalidade, embora não tenha grandes novidades. Fazendo um rock simples e honesto, Costello mostra que o gênero ainda tem muito o que oferecer. Aliada a competência da banda The Imposters, o cantor inglês usa sua bagagem musical para dar ao seu disco novo um gosto de vinho encorpado, envelhecido em barris de carvalho.

O disco começa arrasador, dizendo logo a que veio nas duas primeiras músicas. “No Hiding Place” e “American Gangster Time” são hits de qualidade, redondos, prontos para serem tocados em rádio, caso aqui houvessem emissoras que se dedicassem ao rock. Destaque para os riffs roucos de guitarra e o órgão psicodélico de Steve Nieve, em “American Gangster Time”.

O ritmo ascendente do disco, porém, é quebrado na faixa “Turpentine”. A música é mais trabalhada, com coros, solos e efeitos de guitarra que ajudam a criar uma variação de humor. Mas todo esse requinte acaba impedindo a mesma fluidez das duas primeiras canções. Algo que também é sentido no jazz “Harry Worth”, no blues “Flutter & Wow”, nas baladas “My Three Sons” e “Song With Rose” e na mais narrativa do que musical “Pardon Me, Madam, My Name Is Eve”.

Mas Costello sabe dosar as energias, espantando os bocejos com rocks poderosos. Na interessante “Stella Hurt”, ele combina sua voz desafiadora com guitarras selvagens, batidas fortes e barulhinhos psicodélicos por trás. Já em “Go Away”, o cantor retoma a linhagem das músicas de abertura, numa balada ascendente com refrão cantarolante.

Ainda que não tão instigantes, “Drum & Bone” e “Mr. Feathers” têm lugar reservado no ranking das melhores. As músicas demonstram a versatilidade de Costello, revelando algumas de suas influências. Na primeira delas, o inglês une a levada folk de Bob Dylan aos refrãos desafiadores do Rolling Stones. Já “Mr. Feathers” traz de volta o ar de diversão meio debochado que os Beatles sabiam usar tão bem.