Aliar efeitos eletrônicos ao universo da cultura popular pernambucana não é novidade. O caminho aberto por artistas como DJ Dolores e Otto é novamente explorado pela banda Guardaloop. Nas dez faixas do seu álbum de estréia, o grupo tenta costurar ritmos de origem africana como o funk, dub, carimbó, cavalo-marinho e embolada.
A mistura se revela impregnada da sonoridade “Original Olinda Style”, um termo que faz referência ao disco da Eddie e passou a ser usado para classificar a música de grupos como A Roda e Bonsucesso Samba Clube. Nas dez faixas do disco, a banda apresenta um som que não deixa de ser interessante, embora sofra com a falta de originalidade.
O uso de loops, samplers e scratches até buscam um tom psicodélico, mas não conseguem dar identidade própria à Guardaloop. Os efeitos e barulhinhos são tantos que sufoca o lado orgânico da música, transformando-a numa espécie de zumbi eletrônico, andando em linha reta apesar de não saber qual o seu rumo. As canções soam como fundo musical de uma noite entorpecida, que se reduz às lembranças de uma ressaca de uísque falsificado.
O grupo hoje é formado por Hugo Carranca (bateria e sampler), Igor San (baixo), Iberê (teclados), Vítor Magal (guitarras) e Igor Zion (voz/delay), mas na época das gravações no Fábrica e no Estúdio Batuka apenas os dois primeiros faziam parte da banda. A eles, juntaram-se convidados como Maciel Salu, em “Cavaleiro Solitário”, Tiné, em “Pamonha”, e Erasto Vasconcelos, responsável pelos vocais em “Não Tem Problema” e “Dogma”.

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