Arquivo para Agosto 20th, 2008

20
Ago
08

7 Vezes – O Rappa

Música cansada rompe o silêncio
Thiago Corrêa

Depois um silêncio criativo de cinco anos, o grupo carioca O Rappa volta a emplacar material inédito nas prateleiras das lojas. “7 Vezes”, o quinto álbum de estúdio da banda e sétimo da carreira, traz 14 faixas que reafirmam o caminho musical trilhado pelo grupo. Nesse disco, a mistura de rock, rap, soul, levada dub e letras recheadas de críticas sociais promovida por Marcelo Falcão (vocal), Marcelo Lobato (bateria), Xandão (guitarra) e Lauro Farias (baixo) continua sendo o grande diferencial d’O Rappa, embora apresente sinais de cansaço.

Em “7 Vezes”, ao usar todos esses estilos, o grupo termina perdendo a melodia, deixando as músicas sem uma unidade. Não que isso seja fundamental. O problema, nesse caso, é que a transição entre os ritmos não soa natural, mas feitas em quebras, sem suavidade, resultando em pedaços, fragmentos com pouca harmonia em relação ao restante da música. Algo que se dá nas inserções vocais de Falcão – com canto, “lerês”, acelerações rimadas de rap e discursos quase falados – enquanto os instrumentos seguram o tom, às vezes ficando fora de sintonia com o cantor.

Mas a busca d’O Rappa para renovar sua sonoridade sem perder a identidade não é toda em vão. O disco vem com forte presença de riffs de guitarra, scratches e barulhos eletrônicos, variando entre o tom sombrio e o suingue. Um bom exemplo disso é a música “Meu Mundo é o Barro”, onde o grupo se aproxima do início da carreira do Cidade Negra. As experimentações seguem com a união de uma bateria de escola de samba com guitarras de postura séria em “Maria” e a mistura de cornetas e batidão funkeado em “Respeito pela Mais Bela”. Já “Em Busca do Porrão”, a banda usa sons típicos dos anos 80, num suingue do tempo das discotecas.

Das 14 músicas de “7 Vezes”, apenas uma não é de autoria dos integrantes da banda carioca. A faixa é “Súplica Cearense”, uma parceria do compositor baiano Gordurinha e Nelinho gravada em 1960. Na versão d’O Rappa, a música, já gravada por Elba Ramalho e Fágner, ganha uma levada reggae que combina bem com o tema da canção e a postura social da banda. “Monstro Invisível”, a primeira música de trabalho, também segue a temática política em meio às batidas poderosas do groove. O novo show d’O Rappa deve ser apresentado ao público recifense no dia 29 de novembro, ainda sem local confirmado.