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mudança
Pearl Jam – Ten
Edição luxuosa do “Ten” resgata
a vitalidade grunge do Pearl Jam
Thiago Corrêa
Poucas são as bandas que conseguem chegar a quase duas décadas sem nenhum arranhão. Ainda mais quando se trata de um remanescente do grunge feito o Pearl Jam. A banda tem sido um exemplo de como se manter no mainstream, preservando seu engajamento político sem ceder às pressões do mercado. Prova disso é o lançamento da edição comemorativa do “Ten”, álbum de estreia da banda que sai em edição luxuosa com encarte recheado de fotos, dois discos (versão com bônus tracks e outra como saiu no original) e um DVD trazendo o registro do tão aguardado Unplugged MTV.
Ao contrário de outros grupos contemporâneos como o Nirvana e o Alice In Chains que entraram na onda acústica já com um vasto repertório, o Pearl Jam participou do especial da MTV logo no início da carreira, em 1992, ainda no furor do “Ten”. Mas apesar do sucesso garantido, a banda tomou a acertada decisão de não lançar o vídeo ou mesmo o disco, que poderiam ser vistos como excessos comerciais dada a falta novidades. O show acabou virando clipes veiculados na emissora e um item de colecionador no câmbio negro da internet.
Mesmo tendo deixado de fora a versão que a banda fez para o clássico de Neil Young – “Rockin’ in the free world”, o registro vale pela ótima qualidade das imagens e por documentar a energia contagiante do Pearl Jam nos primórdios. Ainda com a empolgação de banda iniciante vendo as portas do mundo se abrirem, a trupe de Eddie Vedder foi responsável por um dos acústicos mais roqueiros da série da MTV. Sem a experiência para trabalhar as músicas acusticamente, o grupo partiu para a pegada rock mesmo.
Se no início o Pearl Jam aparece mais contido e centrado, a partir de “Alive” a banda começa a aloprar. Quando chega em “Porch”, a última do DVD, o fato do show acústico é praticamente esquecido pelo grupo. Eddie Vedder subverte o clima intimista, assume o espírito de Jim Morrison, se contorce no chão e faz equilibrismo em cima do banco.
DISCO
Outro diferencial do álbum é o disco extra que foi remixado por Brendan O’Brien e traz seis faixas de bônus. Entre elas estão “Just a girl” e a ótima “Breath and scream” da fita demo “Mookei Blaylock” de 1990, e “Brother”, que ficou de fora do “Ten” e apareceu em versão instrumental no disco de sobras “Lost Dogs”. Além do ineditismo, o material extra recupera a sonoridade grunge do Pearl Jam.
As músicas são mais cruas, sem tanto hermetismo, alicerçada no poderio vocal de Eddie Vedder e nas guitarras dilacerantes de Stone Gossard e Mike McCready. Se você é desses que deixou de comprar disco por causa da internet, então é bom preparar o bolso porque a edição comemorativa do “Ten” está impecável.
Agenda: Claudionor Germano
Claudionor Germano
mostra lado romântico
Thiago Corrêa
O cantor Claudionor Germano apresenta na noite de hoje o espetáculo “Eu sou o show”. A apresentação faz parte das comemorações pelos 60 anos de vida artística do cantor, iniciadas no Carnaval deste ano no Marco Zero. “Esse show vai ser a despedida dos festejos de 60 anos. Vai ser diferente do Marco Zero porque lá mostrei a parte carnavalesca da minha carreira, agora vai ser um repertório mais romântico. Não vai ter nada de frevo”, explicou o cantor.
Além do romantismo, o repertório também seguirá uma linha MPB. “Vou cantar músicas de Capiba, Edu Lobo e Chico Buarque”, adiantou Claudionor Germano. O evento acontece às 20h no Teatro de Santa Isabel. “Resolvi fazer no teatro porque o clima é mais intimista e a acústica do lugar ajuda nisso”, explica o intérprete.
O cantor será acompanhado da Orquestra de Câmara do Recife, com regência do maestro Guedes Peixoto. Com direção de José Pimentel, o espetáculo “Eu sou o show” terá as participações especiais de Paulo Diniz, Leonardo Sullivan, Expedito Baracho, Kelly Rosas, Wilson Duarte e Quarteto Novo.
O cantor avisa ainda que, após o espetáculo, fará uma sessão de autógrafos do seu disco mais recente “Ranchos e blocos no Carnaval do Recife”. O álbum foi lançado em fevereiro deste ano e contou com a participação da cantora Miúcha na música “Noite dos mascarados”.
Serviço
Claudionor Germano, show “Eu sou o show”
Hoje, às 20h
Teatro de Santa Isabel
Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia)
Informações: 3232.2939
Kind of blue – Miles Davis
“Kind of blue” de Miles Davis é
disco para ouvir por mais 50 anos
Thiago Corrêa
É uma pena que não se possa escrever de improviso no jornal. As técnicas usadas por Jack Kerouac para escrever o livro “On the road” poderiam ser vistas como motivo de demissão por justa causa. Afinal, consta que o consumo de benzedrina esteve entre as estratégias do escritor americano para aproximar sua narrativa aos improvisos do jazz. Mas bem que essas sensações seriam bem vindas para escrever sobre “Kind of blue”, álbum clássico de Miles Davis que completou meio século este ano.
Gravado em apenas duas sessões no Columbia 30th Street Studios, em Nova Iorque, o disco completa 50 anos com uma edição comemorativa da Sony Music. O álbum traz dois CDs e um DVD com os vídeos “Celebrating a masterpierce” e “The sound of Miles Davis”. O primeiro é um curto documentário que foca no processo de construção artística do disco, enquanto o outro se trata de um programa de televisão exibido em 1959 com as participações de Miles Davis e John Coltrane.
Embora o DVD seja um grande atrativo, a parte estritamente musical não fica atrás. Nessa edição, que chega com a promessa de ser definitiva, estão versões originais, gravações anteriores que já remetiam ao disco e restos de estúdio como as tomadas alternativas de “Flamenco sketches”, “Blue in green”, “All blues”, “So what” e “Freddie freeloader”. São extras que nos fazem admirar ainda mais a ebulição criativa gerada pela confluência de talentos reunidos em “Kind of blue”.
No mesmo disco estão o trompete de Miles Davis, o baixo de Paul Chambers, os pianos de Bill Evans e Wynton Kelly, os sax de John Coltrane e Cannonball Adderley e a bateria de Jimmy Cobb. Uma junção de peças que ocorreu no momento certo. Segundo o crítico Francis Davis, em texto que recheia o encarte, “Kind of blue” deu asas aos sete criadores do disco, que partiram para novos vôos artísticos, abrindo novos horizontes jazzísticos.
Livros que precisam de outro tipo de leitores
Thiago Corrêa
Para uma geração que ganhou vinil dos Trapalhões, gravou fita cassete do Guns’N’Roses, gastou mesadas em CDs do Radiohead e agora entope o ipod com música para uma semana inteira; chega a ser estranho perceber que os livros continuam sendo a mesma maçaroca encadernada de folhas de papel dos tempos de jardim de infância. Por ser cansativa a leitura a tela de computador, o suporte livro tem sobrevivido sem maiores problemas ao apocalipse da internet. Mas isso não significa que exista apenas um único formato para a produção de livros.
Desde as vanguardas do início do século passado, existe a tendência entre as artes visuais de desvirtuar o objeto livro. “Cada época tem sua leitura, seu espírito, mas o livro como suporte não-convencional já é experimentado desde o Dadaísmo. Como sempre procurei me informar, procuro trabalhar com esse suporte não como uma novidade, mas fazendo uma releitura, algo de minha época”, analisa Paulo Bruscky, que já desenvolveu mais de 300 obras desse tipo.
A função dos chamados livros deixa de ser a leitura, ao menos no sentido tradicional que estamos acostumados a relacioná-la com literatura. Os chamados livros de artista podem assumir qualquer forma imaginada por seus autores, devendo ser apreciados com a mesma subjetividade de uma instalação ou performance. “Um livro de artista não precisa ter texto. O bom é quando o artista desvirtua o sentido do objeto. Nós subvertemos a forma, esse é o principal conceito. Aparentemente não tem nada para ler, mas tem muito”, explica Bruscky.
Com produções desde a década de 70, Bruscky é um dos poucos artistas nacionais que ainda trabalha com o suporte livro. “Não há interesse. Ninguém quer editar um livro que não serve para nada. É raro ter um artista com edições feitas, a maioria faz exemplares únicos. Mas é um dos segmentos que mais gosto de fazer”, lamenta. Como uma forma de preservar esse material, o artista mantém uma coleção que passa de mil exemplares, incluindo produções do grupo Fluxus, e já chegou a organizar algumas mostras.
Em boa parte de suas obras, Bruscky tem o cuidado de não entregar a ideia de bandeja e sim fazer com que as pessoas as explorem sensorialmente para entendê-las. É o caso, por exemplo, de “Pós-modernistas”, criada em 1992. De longe se trata apenas de um pequeno pacote branco, mas quando ele é manuseado, a embalagem translúcida revela que o que está dentro é um livro chamado “Modernistas”. “Às vezes pego um formato mais acadêmico, até para ironizar a estrutura do livro. Já trabalhei com cheiro e impermeabilidade, porque perdi muita coisa nas enchentes. Meus filhos sempre lidaram com esses livros para tomar banho e, curiosamente, hoje eles gostam de ler”, relata.
Um lixo para se guardar na prateleira
Thiago Corrêa
À primeira vista, o “Livro das lamúrias” da pernambucana Luciana Lins, mais conhecida como Lulina, não passa de uma lixeira cheia de bolas de papel, identificada por uma plaquinha amarrada com barbante que indica o nome da obra e de sua autora. Mas, depois de uma cutucada, você descobre as palavras escritas nas folhas amassadas e então o motivo do formato. Tratam-se de lamúrias, esses lamentos que escrevemos num rompante de (in)consciência raivosa ou de profunda tristeza e não raro terminam na lata de lixo pela falta de elaboração típica dos impulsos.
O formato, no entanto, serve como piada disso tudo, já que as bolas de papel revelam textos curtos de veia cômica e, principalmente, a preocupação da autora com a forma. “Queria que o formato fosse a ideia. Não é um livro pretensioso. Se disserem que é um lixo, então estão elogiando”, brinca. O livro foi lançado em outubro do ano passado em São Paulo e é feito artesanalmente pela própria autora.
Boa publicitária que é, Lulina sabe se comunicar através de poucas palavras. “Algumas frases são independentes do formato, brincam com as coisas da gramática, o que acaba sendo um treino para minha profissão”, explica ela. Mas é observando a relação do “Livro das lamúrias” com a forma que ele deixa de ser apenas um jogo divertido para assumir um peso artístico. A autora ultrapassa o recurso textual para construir suas idéias.
Como as lamúrias são temáticas, Lulina também as trabalha a partir do suporte que as carrega, promovendo o diálogo entre as palavras e o meio. No caso, o papel amassado. Das 61 lamúrias, seis brincam com o tema – sublimadas, didáticas, do papel, carnavalescas, masoquistas e hipocondríacas. Em outras, a autora revela sua preocupação visual com as palavras numa página em branco.
Exemplo disso é a lamúria da solidão que aparece sozinha no meio de uma página A4, a megalomaníca que vem impressa numa folha A3 e a de amor que surge apenas na metade direita da página. Lulina ainda trabalha esse aspecto da obra através do visual das próprias palavras, como é o caso da lamúria médica que vem em forma garranchos ilegíveis, da corretiva trazendo um ajuste feito a mão, do vazio nos lamentos da falta de tempo ou da interrupção brusca presente na lamúria inacabada.
Radiola de Ficha
Invasão de zumbis
Thiago Corrêa
E pensar que depois da morte de Chico Science houve quem cogitasse o fim da Nação Zumbi. A criatividade dos seus integrantes é tão grande que a produção musical deles tem transbordado os limites sonoros da banda, que já prepara o sucessor do “Fome de tudo”. “A ideia era entrar em estúdio esse ano ainda, mas acho que vai ficar só para 2010. Jorge Du Peixe está compondo as letras, não adianta a gente se juntar até ter pelo menos a metade delas”, adianta Dengue.
Enquanto o próximo disco da Nação Zumbi não sai, os malungos não se cansam de experimentar seus talentos em projetos paralelos. A começar pela Los Sebosos Postizos, que prepara um disco dedicado à obra pré-1975 de Jorge Ben. “Ele já liberou os direitos e a gente deve ir para o estúdio este semestre ainda para fechar o projeto Noite do Ben”, revela o baixista. Depois, o grupo também planeja investir em músicas autorais. “Vamos fazer um disco instrumental, mas as músicas nem existem ainda”.
Outro projeto dos malungos é o Almaz, parceria entre Lúcio Maia, Pupillo, Seu Jorge e Antônio Pinto (compositor das trilhas de “Cidade de Deus” e “Central do Brasil”). “O disco já foi gravado e está pronto, mas está encalhado por conta da agenda de Seu Jorge”, revela Dengue.
Com o mesmo problema, o tão aguardado show do 3namassa – projeto de Dengue, Pupillo e Rica Amabis – deve acontecer só em julho. “É difícil porque depende da agenda de Rica e de pelo menos três meninas. Esse show combina mais com teatro porque é melindroso, intimista, envolve a troca de cantoras”.
Milho
Parceiro de Antônio Nóbrega, o compositor Wilson Freire lança logo mais, na Passa Disco, o álbum “Canções do milho”. O disco traz dez canções que buscam resgatar as tradições trazidas pelos colonizadores e ajudaram a criar os festejos juninos. As músicas são interpretadas pela cantora Sevy Nascimento e contam com arranjos de Claudio Almeida.
13
No último dia 13, a compositora Lulina pediu que as pessoas enviassem e-mail contando como se sentiam naquele momento. Os relatos servirão como inspiração para a feitura de músicas que serão divulgadas religiosamente nos próximos dias 13. Mais que isso, daqui a 13 meses, as faixas serão reunidas num disco. As músicas estarão disponíveis no blog da cantora: lulilandia.wordpress.com.
20 anos da Devotos em 31 músicas
gravadas ao vivo no Alto José do Pinho
Thiago Corrêa
A espera acabou. O primeiro disco ao vivo da Devotos – gravado em setembro passado, no Alto José do Pinho – já está circulando pelos ouvidos da cidade. Com distribuição da Monstro Discos e prensagem de 2 mil cópias, o quinto álbum da carreira do trio formado por Cannibal (voz e baixo), Celo Brown (bateria) e Neilton (guitarra) faz parte das comemorações pelas duas décadas da banda. O disco “Devotos 20 anos” serve como documento da sólida trajetória do grupo mais importante do Alto José do Pinho, trazendo 31 momentos do valor da Devotos.
A coletânea traz 11 faixas do “Agora tá valendo” (1997), sete do “Devotos” (2000), quatro do “Hora da batalha” (2003) e sete do “Flores com espinhos para o rei” (2006). As músicas aparecem com o acréscimo da energia de uma apresentação ao vivo, estão faixas que marcaram época como “Tem de tudo”, “Vida de ferreiro”, “Eu tenho pressa” e o hino “Punk rock hard core Alto José do Pinho”, com o refrão “foi do c***” cantado a plenos pulmões por quem foi ao Alto naquele 21 de setembro de 2009.
O disco também traz dois covers – “A matadeira”, em versão pauleira do Cordel do Fogo Encantado, e “Mim daí”, clássico do Matalanamão. A primeira ganha a contribuição da voz de Lirinha, que também participou da faixa anterior, o reggae “Dança das almas”. O mesmo acontece com Adilson Rorona (voz) e Adriano Leão (guitarra), membros da Matalanamão, envolvendo-se tanto em “Mim daí”, como em “Sociedade Alternativa”.
A festa também contou com as presenças de Clemente (Inocentes) em “Alien” e “Brincando do jeito que dá”, e do Afoxé Ylê Egba em “Mas eu insisto”. “A Devotos nunca quis ficar presa ao rótulo de banda punk, por isso chamamos amigos que fazem outros gêneros, mas estão na mesma batalha. Colocar o afoxé foi doideira. A gente não sabia como ia ficar, mas gostei muito do resultado”, avalia Cannibal.
O cantor, porém, reconhece que a qualidade do produto final poderia ter ficado melhor. “Nunca fica como a gente imagina. Na hora da mixagem vimos que o baixo não estava legal e tentamos maquiar. Quando é erro até fico tranquilo, porque tem o espírito do show, mas timbre de instrumento é pau”, admite Cannibal. Nada, no entanto, que quebre a devoção do público pelo grupo, correspondida em dobro pela força da muralha sonora da Devotos.
A banda pretende fazer um show de lançamento do disco no Bonsucesso, mas ainda não tem data fechada, devendo acontecer no próximo mês. Depois de um ano quase todo dedicado ao processo de gravação do álbum, a Devotos pretende retomar sua agenda de shows. “A onda desse ano é tocar. Estamos tentando fazer o circuito da Abrafin”, adianta o vocalista.
Bongar dialoga com novos sons
em “Chão batido, coco pisado”
Thiago Corrêa
As gravações de “Chão batido, coco pisado”, segundo trabalho do Bongar, terminaram no último dia 7. Com recursos do Funcultura, o álbum vem sendo gestado desde o término do Carnaval no Estúdio Carranca e deve ser lançado em setembro próximo no Teatro da UFPE. Para realizar esse trabalho, a banda convocou a direção musical de Juliano Holanda (músico de grupos como Orquestra Contemporânea de Olinda, Azabumba e Rabecado) e o projeto gráfico será assinado por João Lin. “Achamos o olhar externo fundamental. No primeiro disco a gente se fechou, porque era um registro da nossa festa no terreiro de Xambá e aquilo a gente dominava”, observa o vocalista Guitinho.
Segundo ele, as 14 faixas do disco vão mostrar um Bongar diferente, revelando uma sonoridade mais aberta ao diálogo com sons contemporâneos. “Era uma necessidade que a gente já tinha. Nesse tempo fazendo shows, fomos conhecendo outros artistas, dialogando com outros estilos de música e isso influencia no processo de composição”, analisa Guitinho. Um desses foi a experiência no Olinda Jazz do ano passado, quando o maestro Benjamim Taubkin percebeu a possibilidade de inserir um piano ao ouvir o Bongar tocar. “É um trabalho externo ao coco de Xambá, com violão, viola, pandeiros sampleados, baixo e piano”, adianta.
Mas apesar de tantos elementos novos, Guitinho acredita que “Chão batido, coco pisado” não foge às características do grupo. “O Bongar ficou muito rotulado ao coco. É algo que a gente não nega, agora nossa música é universal. A célula básica do coco está lá, a partir dela fomos explorando novas sonoridades”, conta o vocalista. Com esse trabalho, o grupo fecha a trilogia que começou com o disco de estreia “29 de junho” e teve o livro “Nação Xambá – do terreiro aos palcos” escrito pela produtora Marileide Alves.
Som na Rural comemora
1ª temporada de estrada
Thiago Corrêa
Nesses últimos seis meses, a Rural Willys pilotada por Roger de Renor rodou pelo Recife, percorreu o interior de Pernambuco, Paraíba e Ceará para mostrar ao Brasil a diversidade musical do Nordeste nos 26 episódios do programa Som na Rural. Para comemorar o término da primeira temporada, o programa será exibido hoje na Torre Malakoff, seguido de festa ao som de DJ Dolores, Bob Silva e Uirá a partir das 20h.
O feito deve mesmo ser celebrado, afinal o Som na Rural é a primeira produção local que passou em rede nacional. Transmitido pela TV Brasil, às 20h das quintas-feiras, o Som na Rural foi um dos quatro produtos criados para a emissora na intenção de seguir a política de democratizar a cultura e regionalizar a produção. “Não tínhamos dimensão da importância. A gente se achava tão longe da Bahia e, de repente, recebemos depoimentos de lá e vimos que o Som na Rural estava rompendo essas barreiras”, analisa Roger.
Ao longo dessa primeira temporada, 26 artistas locais se apresentaram no programa, de Lia de Itamaracá a Mombojó. “Mostramos vários estilos musicais, mas foi incrível como todas as pessoas que passavam na rua estavam predispostos para ver algo de qualidade”, observa Roger.
Apesar do sucesso, o futuro do programa ainda é incerto. Com a recente mudança no comando da grade, a renovação do contrato com a TV está sem resposta. “Eles já haviam sinalizado que iam renovar, mas agora não sabemos. Como vão abrir um edital, vamos tentar”, explica o diretor Niltinho Pereira.