Posts Categorizados ‘Abril Pro Rock 2009

19
Abr
09

APR: Cobertura 2o. dia (bandas pernambucanas)

Com direito a peitinhos, bandas
locais revigoram rock da cidade

Thiago Corrêa

Numa noite em que a expectativa era voltada para Marcelo Camelo e ainda teve as apresentações bombásticas da Heavy Trash e da Móveis Coloniais de Acaju, as participações das quatro bandas pernambucanas no último dia do Abril Pro Rock não ficaram por baixo. Apesar de estar sem material inédito desde 2005, a Mundo Livre S/A veio com um show revigorante pela comemoração dos 25 anos de carreira.

Ainda que tenha vindo com um repertório manjado, baseado em hits como “Bolo de Ameixa” e “Melô das Musas”, a banda conseguiu se oxigenar ao acrescentar batidas eletrônicas, lustrando a riqueza sonora dos seus arranjos. Uma tendência que parece ser a tônica do próximo disco e foi confirmada pela inédita “Ela é indie”, que contou com a participação do Maestro Forró.

Anunciado como “o cara mais rock”, a presença de Forró serviu como mensagem subliminar para a música cuja letra brinca com a ideia de tribos de mangueboys, indies e “original Olinda styles”. O maestro da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério também contribuiu na balada “Meu Esquema” e Fábio Goró participou da clássica “Computadores Fazem Arte”.

E o que falar da Volver? Já em clima de despedida, a banda fez um dos shows mais emocionantes da noite, nem ligando para a responsabilidade de tocar após a apresentação dilacerante do grupo de Jon Spencer. Bem à vontade em sua terceira participação no Abril, a Volver comoveu o público em “A sorte” e “Tão perto, tão longe”, num indício de que não vai demorar muito para explodir país afora.

Abrindo a noite, a estreante Candeias Rock City apareceu com o reforço de Marcelo Gomão, da Vamoz, que fez um belo par com Paulista nas guitarras. O show pode ser resumido em três palavras: sexo, drogas e rock’n’roll. Em apenas meia horinha, Johnny Hooker conseguiu a proeza de fazer barulho, trocar de figurino, tirar onda com Mallu Magalhães, falar dos entorpecentes de Candeias e, ufa, deliciar os olhares masculinos levando duas dançarinas ao palco com direito a chicotes e peitinhos de fora. Yeah! Até pela pouca idade, Johnny Hooker ainda tem um quê de piada, mas o cara possui estrela e, em breve, ele aprende algo de postura rock com um tal de Lemmy Kilmister.

Já a The Keith optou por um show mais linear e coeso. É impressionante a evolução da banda no palco. Quando eles participaram da eliminatória do Microfonia, não passavam de um grupo de amigos querendo copiar as bandas gringas que ouviam. Dois meses depois, eles chegavam à final do Microfonia como a atração com menos originalidade sonora, mas botaram quente no palco, o que lhes garantiu o segundo lugar e a convocação para o Abril. Na noite de sábado, agora, os meninos fizeram seu dever de casa, com um show honesto, limpo e redondo. Estão tinindo!

18
Abr
09

APR: Cobertura 1o. dia

Motörhead surge demolidor
com seu peso no volume total
Thiago Corrêa

A última sexta-feira será marcada como o dia em que um surto de surdez atingiu cerca de 5 mil pessoas. Mas, para a maioria, os danos no tímpano servirão como souvenir de lembrança do show dos veteranos do Motörhead, fechando a primeira noite do Abril Pro Rock. Embora a apresentação do trio inglês envolva toda a emoção do encontro do público pernambucano com uma lenda do rock após 34 anos de espera, o show de uma hora e 36 minutos deve entrar para a História como um dos mais barulhentos da cidade, atingindo nada menos que 130 decibéis.

Para se ter uma ideia do que isso significa, a tabela da Sociedade Brasileira de Otologia indica que a porrada sonora da banda inglesa equivale a um disparo de arma de fogo e perde apenas para as turbinas de avião a jato, que chegam a 140 decibéis. Em certos momentos, a lapada auditiva podia ser sentida no tato, fazendo a roupa do corpo sacolejar e a estrutura do Chevrolet Hall tremer. Agora o mais importante, ao término do show, além de zumbidos nos ouvidos, o Motörhead deixou a lição de que barulho só tem sentido quando se há talento e verdade no palco.

E isso eles tem de sobra. A começar pela postura hipnótica de Lemmy Kilmister, que mesmo estático no palco consegue prender a atenção do público em meio à concorrência dos solos de guitarra do carismático Phil Campbell e do trator Mikkey Dee na bateria, cujo malabarismo de baquetas e o solo devastador competem diretamente com o transe coletivo nas músicas “Ace of spades”, “Overkill” e “Whorehouse blues”, esta revelando uma versão mais light do Motörhead, com gaita e violões.

Com apenas os três no palco, o Motörhead serve de contraponto aos espalhafatos da apresentação do Iron Maiden, mês passado, mostrando que é possível envelhecer bem no rock’n’roll. Sem a pirotecnia de fogos e robôs, o trio inglês demonstrou que mais importante do que efeitos de espetáculo é a sinceridade no som.

FESTIVAL
A potência no som do Motörhead deve ter topado o máximo como uma forma de calar a boca dos que ficaram descrentes com a qualidade sonora dos primeiros shows. Seguindo uma pontualidade britânica, a 17ª edição do Abril Pro Rock começou com os pernambucanos da AMP.

Ainda que prejudicado pela falta de público, som desregulado, excesso de iluminação da platéia e a altura desconfortável do palco 2, os meninos passaram o recado de que o rock pesado não precisa ser feito com poucos acordes. O mesmo se pode falar da Black Drawing Chalks (GO), com um show conciso e rasgante que não apela para os espíritos do inferno.

A partir daí foi só barulheira. Ou deveria ser. Os cariocas do Matanza passaram por maus bocados com uma pane no som que permitiu alguns preciosos segundos de silêncio aos nossos ouvidos. Afinal a banda não passa de uma versão MTV do Devotos, com o vocalista Jimmy se arrastando pelo palco como o boneco Eddie no show do Iron Maiden. Depois veio a Decomposed God, seguindo o estilo Sepultura, com gritos guturais e rapidez na pancadaria dos instrumentos.

17
Abr
09

Agenda: Abril Pro Rock

12 horas de rock’n'roll no Abril
Thiago Corrêa

A maratona começa hoje. Ainda que venha com um dia a menos este ano, vai ser preciso disposição para encarar o Abril Pro Rock. Entre hoje e amanhã, serão 15 shows e cerca de 12 horas e meia de rock’n'roll. Em todas as suas variantes, abrangendo desde o heavy metal da Decomposed God ao rock pesado do Motörhead, do indie da The Keith ao rock’a'billy da Heavy Trash, do espírito de baile da Móveis Coloniais de Acaju ao clima mais intimista puxado pela MPB de Marcelo Camelo.

Em sua segunda edição no Chevrolet Hall, o festival volta a apostar na mescla de atrações consagradas com bandas mais novas. E poucas vezes o Abril teve um chamariz tão convincente – ninguém menos que o Motörhead. O trio inglês vai fazer o público bater cabeça ao som dos seus clássicos.
Antes, a partir das 20h, a primeira noite do festival terá shows do Matanza e da Black Drawing Chalks.

A cena metaleira local será representada pela AMP e a veterana Decomposed God. O grupo vai mostrar músicas do seu segundo disco “Bestiality”. “Acho que só duas ficam de fora desse disco. A surpresa vai ser um show devastador e brutal”, adianta o vocalista André.

Se a pauleira de hoje não for suficiente para lhe deixar moído, então é bom se preparar para as oito horas de música de amanhã. A jornada começa mais cedo, a partir das 18h, com a apresentação das estreantes The Keith e Candeias Rock City, classificadas pelo Microfonia. O festival continua com a dobradinha baiana da Vivendo do Ócio e Retrofoguetes. Depois tem a Volver, em sua terceira participação no Abril, e a Vanguart.

Cansou? Pois é bom arrumar fôlego porque a parte final do Abril vai ser arrebatadora. A começar pela Heavy Trash (EUA), novo projeto de Jon Spencer, dono de uma apresentação bombástica em 2001. Em seguida, vem a Móveis Coloniais de Acaju transformando o festival num baile, que explodirá de vez no show especial da Mundo Livre S/A pelos 25 anos de carreira. E aí fecha com Marcelo Camelo, que já conhecemos de outros festivais.

PALESTRAS
Os portões do Chevrolet Hall abrem às 20h, mas o Abril Pro Rock começa mais cedo. O festival dá a largada com uma palestra às 14h de hoje, na Livraria Cultura. Para falar sobre o tema “Estratégias do mercado independente: da primeira demo aos festivais internacionais”, foram convocados o produtor musical Carlos Eduardo Miranda, o presidente da Abrafin Fabrício Nobre e Quinn Caruana, diretora criativa do Symposiom. A entrada é livre.

17
Abr
09

Agenda: Abril Pro Rock – grade

Abril Pro Rock – Chevrolet Hall

Hoje
20h30 AMP
21h15 Black Drawing Chalks (GO)
21h50 Matanza (RJ)
22h30 Decomposed God
23h Motörhead (Inglaterra)

Amanhã
18h The Keith
18h30 Candeias Rock City
19h Vivendo do Ócio (BA)
19h30 Retrofoguetes (BA)
20h10 Volver
20h50 Vanguart (MT)
21h40 Heavy Trash (EUA)
22h30 Móveis Coloniais de Acaju (DF)
23h20 Mundo Livre S/A
00h20 Marcelo Camelo (RJ)

Ingressos
Hoje: R$ 100, R$ 50 (meia) e R$ 70 (social, com 1kg de alimento não perecível)
Amanhã: R$ 50, R$ 25 (meia) e R$ 30 (social, com 1kg de alimentos não perecível)
Vendas: Lojas Renner e bilheteria do Chevrolet Hall
Telefone: 3427.7500

15
Abr
09

APR: Mundo Livre S/A toca 25 anos de história com show especial

Mundo Livre S/A toca 25 anos de
história com show especial no Abril

Thiago Corrêa

Quando a Mundo Livre S/A subir ao palco do Abril Pro Rock, sábado, o público que comparecer ao Chevrolet Hall terá a mesma emoção de uma reunião de veteranos de guerrilha. Depois de encarar batalhas contra instituições como a Ordem dos Músicos, as rádios e o Movimento Armorial; a trupe do comandante Fred 04 pode se orgulhar por estar completando 25 anos de coerência política e musical refletida em entrevistas, discursos, shows e nos álbuns de estúdio lançados pela banda.

A trajetória da Mundo Livre S/A durante esse quarto de século remonta o desenvolvimento da própria música local, passando do impacto causado pelo movimento punk de São Paulo à criação e consolidação do Manguebeat como um marco na cena cultural do Recife. De uma primeira experiência com o Trapaça (grupo formado por garotos que se reuniam para tocar Neil Young e Rolling Stones na praia de Candeias) e, na onda do punk paulista, depois de curtas passagens pelas bandas Serviço Sujo e Câmbio Negro HC, Fred 04 resolveu criar a Mundo Livre S/A.

“Em 1984, era o auge da Guerra Fria. Tinha aquela paranóia do botão vermelho e da guerra nuclear. Nessa época eu não conseguia parar decompor e montei a Mundo Livre, que tinha outro conceito. A gente continuava com anarquia nas letras, mas superava as amarras do hard core misturando new wave com samba, fazendo um pós-punk que incorporava elementos brasileiros”, lembra Fred 04. Mas a banda só veio engrenar mesmo após quase cinco anos, após temporada do vocalista em São Paulo.

“O pessoal estava instigado e eu voltei cheio de ideias, mas era uma coisa muito amadora ainda. Até que a gente conheceu Chico Science e a sacada do Manguebeat. Aí veio a ideia de fazer um evento no Espaço Oásis, que ia ser no mesmo dia do show do Ira. Chico conseguiu levar os caras do Ira para lá e eles piraram, subiram no palco, tocaram com a gente e disseram que a gente estava se perdendo aqui”, recorda Fred 04. As palavras da banda paulista serviram de incentivo à Mundo Livre S/A, que manteve só conseguiu lançar seu primeiro álbum – “Samba esquema noise” – em 1994.

De lá para cá vieram mais quatro discos de estúdio, um EP, diversas participações em compilações e a coletânea oficial “Combat samba: e se a gente sequestrasse o trem das 11?”, lançada ano passado. O show da Mundo Livre S/A na noite de sábado vai recuperar um pouco dessa história musical e já vai apontar os novos rumos da banda. “Vamos celebrar os 25 anos, chamando algumas figuras que fazem parte da nossa trajetória. Vai ter muita coisa do ‘Combat Samba’, mas não vai ser aquela coisa repetitiva. Vamos fazer umas releituras e tocar duas inéditas”, adianta Fred 04.

As músicas novas vão integrar o próximo álbum da Mundo Livre S/A, que planeja entrar em estúdio logo após o Abril Pro Rock. “Já estamos com o repertório completo. O disco vai ter algumas das melhores coisas que já compomos, ficou acima do que esperávamos. Só estamos esperando a resposta de um produtor de São Paulo”, avalia. Entre os convidados está confirmada a participação de Fábio Goró, que foi um dos fundadores do grupo.

15
Abr
09

APR: Candeias Rock City representa geração criada pelo festival

Candeias Rock City representa
geração criada pelo festival

Thiago Corrêa

As transformações sofridas na cena de música alternativa em Pernambuco estarão expostas no palco do Chevrolet Hall nesse sábado. Na mesma noite em que a Mundo Livre S/A celebra seus 25 anos de existência num festival que a banda ajudou a consolidar como um dos principais eventos da cidade, outros jovens de Candeias debutam no Abril Pro Rock já encarando as novas coordenadas da atual lógica da indústria fonográfica.

Se na década passada o evento teve papel fundamental na revelação de bandas como a Chico Science & Nação Zumbi, Eddie e a extinta Sheik Tosado; agora o festival sofre com a sombra da internet na tentativa de nortear as tendências musicais. “Acho que não tem a mesma força, é muito difícil acontecer aquilo novamente. Até porque as coisas estão diferentes hoje. A indústria está sem rumo”, avalia Johnny Hooker, vocalista da Candeias Rock City.

Uma opinião que também é compartilhada pela Volver, outra atração pernambucana da segunda noite do festival. A banda não sentiu muita diferença na carreira após suas duas primeiras participações no Abril Pro Rock, em 2005 e 2006. “É mais fácil verem seu MySpace. Mas o festival tem prestígio na cena local, é bom porque chama atenção de pessoas que não acompanham o meio”, atesta Bruno Souto, vocalista da Volver.

Mesmo sem a expectativa de tirar a sorte grande no sábado, a banda vencedora do Microfonia do ano passado reconhece a importância histórica do Abril Pro Rock. “Fui nas primeiras edições porque meus pais eram dessa geração, eles conheciam Chico Science e Renato L. Deve ser emocionante para eles ver uma geração que eles viram crescer tocando no festival”, observa Johnny Hooker.

O encontro do vocalista com o Abril Pro Rock foi adiado três vezes, quando seus projetos anteriores ficaram perto de se classificar para o festival. “Sempre quis tocar lá, mas bati na trave três vezes. Vendo hoje, acho que foi até bom, porque esse processo de virar adulto bota as coisas no lugar”, analisa.

Dono de uma das melhores performances de palco na cidade, Johnny Hooker promete não decepcionar a geração mais antiga. “Vai ter algumas surpresas, de música e de performance. Uma que posso adiantar é a participação de Marcelo Gomão (da Vamoz) no show inteiro”, revela Hooker.

14
Abr
09

APR: Abril Pro Rock c_mpl_ta o trono do Móveis Coloniais de Acaju

Abril Pro Rock c_mpl_ta o trono
do Móveis Coloniais de Acaju

Thiago Corrêa

Na mesma noite em que o público deve se espremer na beira do palco para cantarolar o show de Marcelo Camelo, fechando o segundo dia do Abril Pro Rock; a legião de viúvas do Los Hermanos poderá sair do Chevrolet Hall com uma nova banda queridinha. Apontada como a sucessora do trono deixado pelo grupo carioca, a brasiliense Móveis Coloniais de Acajú tem tudo para conquistar esse espaço na apresentação de sábado. Ainda mais se eles repetirem a performance em Brasília, quando reuniram cinco mil pessoas durante o projeto Móveis Convida, gerando comparações na imprensa nacional.

“É até normal ouvir isso, porque nós escutamos muito o Los Hermanos, que por sua vez tinha muito do Paralamas (do Sucesso). Não sei de onde vem nossa música, as coisas vão se somando. Acho que tem a ver com a formação da banda. Tem músico de orquestra de baile, outros que gostam mais de rock”, analisa o guitarrista pernambucano Bruno. Essa será a terceira apresentação da banda na cidade, que tem percorrido o circuito de festivais independentes do país. “Tocar no Abril Pro Rock é como se fosse a jóia da coroa. Além de ser muito tradicional, ele ainda tem esse efeito de mobilizar a imprensa e uma rede de produtores”, reconhece.

A participação do Móveis Coloniais de Acajú no sábado será uma das primeiras apresentações da banda com repertório baseado no novo disco. “Vamos tocar todas do ‘C_MPL_TE’, queremos mostrar as músicas novas e misturá-las com as do ‘Idem’, que o pessoal já conhece”, adianta Bruno. “C_MPL_TE” deve ser lançado ainda este mês pelo projeto Álbum Virtual da Trama, com download gratuito pela internet e Carlos Eduardo Miranda assinando a produção do disco. “É um disco que nasceu em conjunto com Miranda. Ele queria a pegar a energia e a qualidade que temos ao vivo, coisa que ele não via em ‘Idem’, até pelo contexto em que foi gravado”, revela Bruno.

Com a experiência de participar dos principais eventos de música alternativa, o Móveis Coloniais de Acajú resolveu organizar seu próprio evento em Brasília. O Móveis Convida acontece duas ou três vezes por ano e sua última edição contou com as participações da Macaco Bong e da Black Drawing Chalks. “A ideia era levar para Brasília bandas que conhecemos na estrada e não tem muita oportunidade de tocar na cidade. É uma forma que encontramos para fomentar a cena local, abrindo espaço para grupos daqui e movimentar a economia dos eventos”, explica Bruno.

14
Abr
09

APR: Black Drawing Chalks dá cinco lapadas de cara

Black Drawing Chalks dá
cinco lapadas de cara

Thiago Corrêa

Tocar no mesmo dia de uma banda como o Motörhead não é para qualquer um. Dona de um dos shows mais arrebatadores da cena roqueira nacional, a Black Drawing Chalks tem tudo para chamar a atenção na primeira noite do Abril Pro Rock. “Sempre quisemos tocar no festival. Aparecer esse convite, para tocar logo no dia do Motörhead, foi um bônus extra. A sensação é quase a mesma de ter um orgasmo, todo mundo gosta da banda”, comemora o baixista Denis de Castro.

Embora não seja a primeira apresentação em Pernambuco, onde tocaram ano passado na Nox, o grupo natural de Goiás promete botar quente no palco logo de cara. “As cinco primeiras vão ser pauladas o tempo todo, até para mostrar o nosso trabalho e não perder muito tempo com blá blá blá”, adianta o baixista. Depois de um ano movimentado como 2008, quando a banda percorreu 12 Estados, a Black Drawing Chalks retorna ao Recife cheia de novidades.

“O show vai ter algumas variações do que fizemos na Nox. Vamos tocar músicas novas e pelo menos três do anterior”, explica Denis. As novas faixas vão integrar o próximo disco da banda, que já começa a ser gestado. O álbum será produzido por Eduardo Ramos, produtor da Cansei de Ser Sexy. “Tivemos mudanças no backing vocal e na guitarra. A experiência desses shows também influencia nas músicas. Esse próximo disco vai ter tudo isso, terá mais efeitos e penduricalhos”, revela Denis.

14
Abr
09

APR: Outras atrações nacionais

Matanza (RJ)
www.myspace.com/matanzacountrycore
Atração da primeira noite, o Matanza mostra ao vivo o show que saiu no primeiro DVD da banda – “MTV apresenta Matanza”, lançado ano passado. A apresentação conta com clássicos dos quatro discos da banda, como “Maldito Hippie Sujo” e “Pé na porta, soco na cara”. É música para macho que coça o saco, vira uma lapada de cana e depois escarra no chão em saudação ao diabo.

Marcelo Camelo (RJ)
www.myspace.com/marcelocamelo
Se na estreia nacional do seu projeto solo com o grupo paulista Hurtmold durante o No Ar: Coquetel Molotov de 2008 o show do ex-Los Hermanos já foi cantado por uma multidão, imagine então como será a reação do público após quase sete meses ouvindo o disco “Sou”. A apresentação que fecha a segunda noite do Abril deve entrar para a história com o show mais cantarolado da história do festival.

Vanguart (MT)
www.myspace.com/vanguart
Um dos expoentes da última moda musical da cena indie, a Vanguart tocou por aqui duas vezes, quando ainda não estava no hype. Com o sucesso do disco “Vanguart”, distribuído pela revista Outracoisa em 2007, o grupo atingiu o ápice e chegou a confirmar presença no festival No Ar: Coquetel Molotov de 2008. Mas a banda cancelou sua vinda de última hora e chega para o Abril já na ressaca do folk rock.

Retrofoguetes (BA)
www.myspace.com/retrofoguetes
Interessante vai ser ver a Retrofoguetes na mesma noite do Heavy Trash. O trio instrumental baiano investe numa proposta musical baseada no rockabilly e na surf music, mas com influências de bolero, polka e valsa. Em 2003, a banda gravou seu primeiro disco – “Ativar Retrofoguetes!” e está preparando o sucessor para este ano ainda.

Vivendo do Ócio (BA)
www.myspace.com/vivendodoocio
A mais desconhecida do público pernambucano. O grupo baiano chega ao Abril Pro Rock gabaritado pelo Prêmio Bahia de Todos os Rocks na categoria melhor show e título de campeão do GAS Sound, reality show de bandas exibido ano passado. Com um disco nas costas, o grupo se prepara para lançar o segundo ainda este semestre pela Deckdisc.

13
Abr
09

APR: Motörhead coroa o Abril Pro Rock

Motörhead coroa o Abril Pro Rock
Thiago Corrêa

Pouco mais de 15 dias depois do mega-evento que marcou o primeiro show do Iron Maiden no Nordeste, as estruturas do Recife voltam a sacudir a partir da próxima sexta-feira. É o início da 17á edição do Abril Pro Rock, que surge em versão reduzida, com apenas dois dias de música. Mas nada que tire o brilho de um dos festivais mais importantes do país, afinal, este ano, o evento realiza um sonho trazendo ninguém menos que o Motörhead e ainda promove a vinda da banda americana Heavy Trash, novo projeto de Jon Spencer.

As atrações internacionais serão as cerejas do bolo das duas noites de rock’n'roll do festival. Desde o show dos belgas da dEUS, o Abril Pro Rock tem servido como uma janela para apresentações de bandas internacionais. Mesmo com tantos nomes estrangeiros relevantes no currículo (Asian Dub Foundation, Soulfly, Vive La Fête, Camille, Marky Ramone, Stephen Malkmus, The Charlatans, Placebo, New York Dolls, Halloween e Gamma Ray), quando o Motörhead subir ao palco do Chevrolet Hall na sexta-feira, o teto dos headlines do evento será elevado em alguns metros.

Provavelmente o nome de maior peso mundial que já tocou em todas as 16 edições anteriores do Abril Pro Rock, o Motörhead, segundo o produtor Paulo André Pires, estava entre os três maiores desejos do festival e, por pouco, não foi uma de suas atrações nas edições anteriores. Isso, claro, considerando a realidade financeira do festival. Como comparação, vale lembrar que a edição deste ano está orçada entre R$ 700 mil e R$ 800mil, menos de um terço dos investimentos feitos para o show do Iron Maiden, no Jockey Club de Pernambuco.

Formado por Lemmy Kilmister, Phil Campbell e Mikkey Dee; o trio inglês de heavy metal ganhou uma áurea mítica por ter uma trajetória que se confunde com a história do próprio rock’n'roll. Com a experiência de ter sido roadie de Jimmi Hendrix e conhecido Sid Vicius, baixista da lendária Sex Pistols, o vocalista e baixista Lemmy Kilmister foi elevado a categoria de um deus no filme “Cabeças de Vento”. Nesses 34 anos de estrada, o Motörhead desenvolveu uma sonoridade que agrada tanto aos metaleiros, pelo peso de suas músicas, como aos fãs de rock atraídos pela pegada punk da banda.

O grupo faz uma série de quatro shows no Brasil para mostrar a turnê do “Motörizer”, nome do último álbum da banda lançado em 2008. Mas, por se tratar da primeira apresentação no Recife, o Motörhead fará um show repleto de clássicos da banda, tocando pouca coisa do novo disco. Com 19 álbuns de estúdio, o grupo inglês deve trazer em seu repertório músicas como “Overkill”, “Bomber” e “Ace of Spades”. Já está de ótimo tamanho, mas se o grupo resolver tocar “Orgasmatron”, cuja versão do Sepultura marcou o heavy metal nacional, então veremos um terremoto.