Posts Categorizados ‘Black Drawing Chalks

18
Abr
09

APR: Cobertura 1o. dia

Motörhead surge demolidor
com seu peso no volume total
Thiago Corrêa

A última sexta-feira será marcada como o dia em que um surto de surdez atingiu cerca de 5 mil pessoas. Mas, para a maioria, os danos no tímpano servirão como souvenir de lembrança do show dos veteranos do Motörhead, fechando a primeira noite do Abril Pro Rock. Embora a apresentação do trio inglês envolva toda a emoção do encontro do público pernambucano com uma lenda do rock após 34 anos de espera, o show de uma hora e 36 minutos deve entrar para a História como um dos mais barulhentos da cidade, atingindo nada menos que 130 decibéis.

Para se ter uma ideia do que isso significa, a tabela da Sociedade Brasileira de Otologia indica que a porrada sonora da banda inglesa equivale a um disparo de arma de fogo e perde apenas para as turbinas de avião a jato, que chegam a 140 decibéis. Em certos momentos, a lapada auditiva podia ser sentida no tato, fazendo a roupa do corpo sacolejar e a estrutura do Chevrolet Hall tremer. Agora o mais importante, ao término do show, além de zumbidos nos ouvidos, o Motörhead deixou a lição de que barulho só tem sentido quando se há talento e verdade no palco.

E isso eles tem de sobra. A começar pela postura hipnótica de Lemmy Kilmister, que mesmo estático no palco consegue prender a atenção do público em meio à concorrência dos solos de guitarra do carismático Phil Campbell e do trator Mikkey Dee na bateria, cujo malabarismo de baquetas e o solo devastador competem diretamente com o transe coletivo nas músicas “Ace of spades”, “Overkill” e “Whorehouse blues”, esta revelando uma versão mais light do Motörhead, com gaita e violões.

Com apenas os três no palco, o Motörhead serve de contraponto aos espalhafatos da apresentação do Iron Maiden, mês passado, mostrando que é possível envelhecer bem no rock’n’roll. Sem a pirotecnia de fogos e robôs, o trio inglês demonstrou que mais importante do que efeitos de espetáculo é a sinceridade no som.

FESTIVAL
A potência no som do Motörhead deve ter topado o máximo como uma forma de calar a boca dos que ficaram descrentes com a qualidade sonora dos primeiros shows. Seguindo uma pontualidade britânica, a 17ª edição do Abril Pro Rock começou com os pernambucanos da AMP.

Ainda que prejudicado pela falta de público, som desregulado, excesso de iluminação da platéia e a altura desconfortável do palco 2, os meninos passaram o recado de que o rock pesado não precisa ser feito com poucos acordes. O mesmo se pode falar da Black Drawing Chalks (GO), com um show conciso e rasgante que não apela para os espíritos do inferno.

A partir daí foi só barulheira. Ou deveria ser. Os cariocas do Matanza passaram por maus bocados com uma pane no som que permitiu alguns preciosos segundos de silêncio aos nossos ouvidos. Afinal a banda não passa de uma versão MTV do Devotos, com o vocalista Jimmy se arrastando pelo palco como o boneco Eddie no show do Iron Maiden. Depois veio a Decomposed God, seguindo o estilo Sepultura, com gritos guturais e rapidez na pancadaria dos instrumentos.

14
Abr
09

APR: Black Drawing Chalks dá cinco lapadas de cara

Black Drawing Chalks dá
cinco lapadas de cara

Thiago Corrêa

Tocar no mesmo dia de uma banda como o Motörhead não é para qualquer um. Dona de um dos shows mais arrebatadores da cena roqueira nacional, a Black Drawing Chalks tem tudo para chamar a atenção na primeira noite do Abril Pro Rock. “Sempre quisemos tocar no festival. Aparecer esse convite, para tocar logo no dia do Motörhead, foi um bônus extra. A sensação é quase a mesma de ter um orgasmo, todo mundo gosta da banda”, comemora o baixista Denis de Castro.

Embora não seja a primeira apresentação em Pernambuco, onde tocaram ano passado na Nox, o grupo natural de Goiás promete botar quente no palco logo de cara. “As cinco primeiras vão ser pauladas o tempo todo, até para mostrar o nosso trabalho e não perder muito tempo com blá blá blá”, adianta o baixista. Depois de um ano movimentado como 2008, quando a banda percorreu 12 Estados, a Black Drawing Chalks retorna ao Recife cheia de novidades.

“O show vai ter algumas variações do que fizemos na Nox. Vamos tocar músicas novas e pelo menos três do anterior”, explica Denis. As novas faixas vão integrar o próximo disco da banda, que já começa a ser gestado. O álbum será produzido por Eduardo Ramos, produtor da Cansei de Ser Sexy. “Tivemos mudanças no backing vocal e na guitarra. A experiência desses shows também influencia nas músicas. Esse próximo disco vai ter tudo isso, terá mais efeitos e penduricalhos”, revela Denis.