Posts Categorizados ‘Candeias Rock City

19
Abr
09

APR: Cobertura 2o. dia (bandas pernambucanas)

Com direito a peitinhos, bandas
locais revigoram rock da cidade

Thiago Corrêa

Numa noite em que a expectativa era voltada para Marcelo Camelo e ainda teve as apresentações bombásticas da Heavy Trash e da Móveis Coloniais de Acaju, as participações das quatro bandas pernambucanas no último dia do Abril Pro Rock não ficaram por baixo. Apesar de estar sem material inédito desde 2005, a Mundo Livre S/A veio com um show revigorante pela comemoração dos 25 anos de carreira.

Ainda que tenha vindo com um repertório manjado, baseado em hits como “Bolo de Ameixa” e “Melô das Musas”, a banda conseguiu se oxigenar ao acrescentar batidas eletrônicas, lustrando a riqueza sonora dos seus arranjos. Uma tendência que parece ser a tônica do próximo disco e foi confirmada pela inédita “Ela é indie”, que contou com a participação do Maestro Forró.

Anunciado como “o cara mais rock”, a presença de Forró serviu como mensagem subliminar para a música cuja letra brinca com a ideia de tribos de mangueboys, indies e “original Olinda styles”. O maestro da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério também contribuiu na balada “Meu Esquema” e Fábio Goró participou da clássica “Computadores Fazem Arte”.

E o que falar da Volver? Já em clima de despedida, a banda fez um dos shows mais emocionantes da noite, nem ligando para a responsabilidade de tocar após a apresentação dilacerante do grupo de Jon Spencer. Bem à vontade em sua terceira participação no Abril, a Volver comoveu o público em “A sorte” e “Tão perto, tão longe”, num indício de que não vai demorar muito para explodir país afora.

Abrindo a noite, a estreante Candeias Rock City apareceu com o reforço de Marcelo Gomão, da Vamoz, que fez um belo par com Paulista nas guitarras. O show pode ser resumido em três palavras: sexo, drogas e rock’n’roll. Em apenas meia horinha, Johnny Hooker conseguiu a proeza de fazer barulho, trocar de figurino, tirar onda com Mallu Magalhães, falar dos entorpecentes de Candeias e, ufa, deliciar os olhares masculinos levando duas dançarinas ao palco com direito a chicotes e peitinhos de fora. Yeah! Até pela pouca idade, Johnny Hooker ainda tem um quê de piada, mas o cara possui estrela e, em breve, ele aprende algo de postura rock com um tal de Lemmy Kilmister.

Já a The Keith optou por um show mais linear e coeso. É impressionante a evolução da banda no palco. Quando eles participaram da eliminatória do Microfonia, não passavam de um grupo de amigos querendo copiar as bandas gringas que ouviam. Dois meses depois, eles chegavam à final do Microfonia como a atração com menos originalidade sonora, mas botaram quente no palco, o que lhes garantiu o segundo lugar e a convocação para o Abril. Na noite de sábado, agora, os meninos fizeram seu dever de casa, com um show honesto, limpo e redondo. Estão tinindo!

15
Abr
09

APR: Candeias Rock City representa geração criada pelo festival

Candeias Rock City representa
geração criada pelo festival

Thiago Corrêa

As transformações sofridas na cena de música alternativa em Pernambuco estarão expostas no palco do Chevrolet Hall nesse sábado. Na mesma noite em que a Mundo Livre S/A celebra seus 25 anos de existência num festival que a banda ajudou a consolidar como um dos principais eventos da cidade, outros jovens de Candeias debutam no Abril Pro Rock já encarando as novas coordenadas da atual lógica da indústria fonográfica.

Se na década passada o evento teve papel fundamental na revelação de bandas como a Chico Science & Nação Zumbi, Eddie e a extinta Sheik Tosado; agora o festival sofre com a sombra da internet na tentativa de nortear as tendências musicais. “Acho que não tem a mesma força, é muito difícil acontecer aquilo novamente. Até porque as coisas estão diferentes hoje. A indústria está sem rumo”, avalia Johnny Hooker, vocalista da Candeias Rock City.

Uma opinião que também é compartilhada pela Volver, outra atração pernambucana da segunda noite do festival. A banda não sentiu muita diferença na carreira após suas duas primeiras participações no Abril Pro Rock, em 2005 e 2006. “É mais fácil verem seu MySpace. Mas o festival tem prestígio na cena local, é bom porque chama atenção de pessoas que não acompanham o meio”, atesta Bruno Souto, vocalista da Volver.

Mesmo sem a expectativa de tirar a sorte grande no sábado, a banda vencedora do Microfonia do ano passado reconhece a importância histórica do Abril Pro Rock. “Fui nas primeiras edições porque meus pais eram dessa geração, eles conheciam Chico Science e Renato L. Deve ser emocionante para eles ver uma geração que eles viram crescer tocando no festival”, observa Johnny Hooker.

O encontro do vocalista com o Abril Pro Rock foi adiado três vezes, quando seus projetos anteriores ficaram perto de se classificar para o festival. “Sempre quis tocar lá, mas bati na trave três vezes. Vendo hoje, acho que foi até bom, porque esse processo de virar adulto bota as coisas no lugar”, analisa.

Dono de uma das melhores performances de palco na cidade, Johnny Hooker promete não decepcionar a geração mais antiga. “Vai ter algumas surpresas, de música e de performance. Uma que posso adiantar é a participação de Marcelo Gomão (da Vamoz) no show inteiro”, revela Hooker.