Refúgio carnavalesco ao som do jazz
Thiago Corrêa
Nem só de frevo, samba e maracatu se faz a programação do Carnaval pernambucano. Na noite da última terça-feira, foi divulgada a programação da segunda edição do Garanhuns Jazz Festival, uma alternativa que vem se consolidando como refúgio para quem gosta de boa música, mas não tem gás para encarar a folia. Este ano, o evento homenageia Toinho Alves, fundador do Quinteto Violado que faleceu ano passado, e traz uma grade com 18 shows, divididos em dois palcos (Praça Guadalajara e Parque Van Der Linden), durante os dias 21 e 23 de fevereiro.
Entre as atrações estão Carlos Malta, Marcelo Martins, Nuno Mindelis, Lancaster, Igor Prado Band, Robson Fernandes e os americanos Paul Wheeler e Clay Ross. O último, junto com a Dixie Square Jazz Band e os equatorianos da Nuages, também se apresentam no Rec-Beat, no Recife Antigo durante o Carnaval. “Garanhuns está exportando, porque outros festivais ficam de olho em nossas atrações de qualidade”, comemorou o curador Giovani Papaléo.
Apesar de se mostrar feliz com a programação, Papaléo fez questão de frisar seu descontentamento com o Funcultura, que não aprovou o projeto do festival. “Não entendo porque não nos apoiaram, disseram que o festival não tinha frevo nem maracatu. Nós tínhamos, e eles deram R$ 117 mil para um festival de jazz em Recife”, reclamou o curador. Sem os recursos do Funcultura, o Garanhuns Jazz Festival apelou para os programas de intercâmbio cultural de outros países e o apoio da Prefeitura.
Um investimento que tem dado retorno a Garanhuns. “A cidade ficava deserta e precisávamos de uma solução para isso. O evento já nasceu consolidado. Logo no primeiro ano tivemos um público de mais de 10 mil pessoas. Em 2009, esse número deve aumentar em 50% a 100%”, disse o prefeito Luiz Carlos de Oliveira. Segundo a secretária municipal de Turismo, Gabriela Valença, cerca de 80% dos leitos da cidade já estão reservados. Se em 2008 o festival foi responsável por movimentar R$ 1,6 milhão, a expectativa para este ano é de R$ 2,5 milhões. Esses números renderam ao Garanhuns Jazz Festival o Prêmio Mestre Salustiano de 2008.