Posts Categorizados ‘Iron Maiden

01
Abr
09

Cobertura: Iron Maiden

Iron Maiden faz o chão tremer
Thiago Corrêa

Num ano em que o Carnaval ficou marcado pelas chuvas, o céu estrelado que cobria o Jockey Club de Pernambuco era um indício de que a noite de ontem seria impecável para a primeira apresentação do Iron Maiden no Nordeste. O aguardado show do grupo britânico aconteceu tudo conforme o previsto, começando na hora marcada e com uma estrutura que comportou bem a demanda de fanáticos pela trupe de Bruce Dickson.

Mesmo para os que não nutrem grandes interesses pelo heavy metal, há de se concordar que os instantes que precedem a entrada triunfal da banda inglesa no palco são emocionantes. Pulando a meia horinha do show de abertura de Lauren Harris, que mal serve de esquente para o público, a noite começa mesmo com as imagens do documentário “Flight 666″ nos telões, que logo dão lugar ao discurso de Winston Churchill.

O público, que antes se amontoava na fila do bar durante a apresentação da filha do baixista Steve Harris, passou a se aglomerar em frente ao palco, formando um mar de câmeras digitais para registrar o momento histórico da aparição do Iron Maiden, sob os efeitos de fogos de artifício, tocando “Aces high”, quase emendada com “Wrathchild”. Após ela, o vocalista Bruce Dickson faz o primeiro contato com o público, mostrando todo o seu carisma ao pedir gritos da plateia.

Da mesma forma como aconteceu no show de São Paulo, no último dia 15, os veteranos do Iron Maiden fez jus a devoção de fãs de todo o Nordeste, demonstrando plena energia no palco e um meticuloso cuidado cênico de luzes, figurinos, explosões e fogos de artifício. O repertório foi idêntico ao da apresentação no Autódromo de Interlagos. Tanto aqui como lá, as reações do públicos são semelhantes, acompanhando os solos de guitarra de “Fear of the dark” e louvou a presença do mascote Eddie, na versão do álbum “Somewhere back in time”, durante a apoteótica “Iron Maiden”.

31
Mar
09

Agenda: Iron Maiden

Iron Maiden: é hoje!
Thiago Corrêa

A data 31 de março ficou marcada como o dia em que o presidente João Goulart foi deposto, dando início ao regime militar que duraria até 1985. Mas para os metaleiros do Recife, a partir de hoje, a data será lembrada pelo primeiro show do Iron Maiden na cidade. Às 21h em ponto, a banda britânica promete entrar no palco montado no Jockey Club de Pernambuco para fazer o maior espetáculo já visto até então na região Nordeste. Antes, porém, às 20h, o público terá como aperitivo a apresentação de Lauren Harris, divulgando seu disco “Calm before the storm”.

A exemplo do que ocorreu na apresentação em São Paulo, no último dia 15, a banda da filha do baixista Steve Harris, no entanto, só tem fôlego para meia hora mesmo. Após uma pausa para preparar o palco, o Iron Maiden assume os holofotes e dá início ao penúltimo show da turnê Somewhere Back In Time, que será encerrada na quinta-feira na Flórida. Fazendo uso de mais de 400 toneladas de equipamento, que envolvem três telões de LED, e um palco com 50 metros de largura; o grupo inglês entra em cena para tocar seus sucessos da década de 80.

Se a banda seguir o set list do show na capital paulista, quando mais de 60 mil pessoas lotaram o autódromo de Interlagos, a apresentação começará com imagens do documentário “Flight 666″, seguido do discurso do famoso estadista inglês Winston Churchill. Apenas um esquente, já que a ansiedade do público só explode mesmo quando os veteranos do Iron Maiden aparecem no palco tocando “Aces high”, faixa do álbum “Powerslave”, de 1984. Depois vem “Wrathchild”, gravada em 1981 quando o vocalista ainda era Paul Di’Anno.

Na sequência, surge “2 minutes to midnight” e “Children of the damned”, dos clássico álbuns “Powerslave” e “Number of the beast”, respectivamente. O lado dramático do show começa a aflorar com “Phantom of the opera” e segue com “The trooper”, onde o vocalista Bruce Dickson troca de figurino e fica agitando a bandeira da Grã-Bretanha no fundo do palco. Depois vem “Wasted years” e outras duas do álbum de 1984 – “Rime of the ancient mariner” e “Powerslave”.

As músicas desse disco predominam o show, empatando com o “Number of the beast”, lançado em 1982. A diferença entre eles começa a diminuir quando a banda toca “Run to the hills” e “Hallowed be thy name”. No meio das duas, no entanto, aparece “Fear of the dark”. Uma estranha à década de 80, mas que é justificada pelo coro da plateia acompanhando Bruce Dickson. A primeira parte do show termina com o clássico “Iron Maiden”, faixa do primeiro álbum da banda.

Após a tradicional pausa para retomar o fôlego, afinal se tratam de senhores com mais de 50 anos de idade, o Iron Maiden volta ao palco para executar com tendências apoteóticas “The number of the beast” e “The evil that men do”, quando surge o o boneco do mascote Eddie, na versão exterminador do álbum “Somewhere back in time”. A escolhida para terminar a apresentação em São Paulo foi a obscura “Sanctuary”, que saiu no segundo single da banda.

BACURAU
Quem está preocupado como voltar do show do Iron Maiden, aí vai uma boa notícia. O Grande Recife Consórcio de Transporte reforçou as dez linhas bacurau para dar vazão ao contigente de público que estará no Jockey Club de Pernambuco. Ao todo, serão acrescentadas mais 61 viagens durante a madrugada de hoje para amanhã, além das 49 linhas que funcionam normalmente até às 22h30. Dúvidas poderão ser tiradas pelo telefone 0800 081 0158.

Serviço
Iron Maiden
Hoje, às 21h (abertura dos portões às 16h)
Jockey Club de Pernambuco
Ingressos: R$ 350 (pista premium), R$ 150 e R$ 75

31
Mar
09

Nicko McBrain aproveita a folga jogando golfe

Nicko McBrain aproveita a folga jogando golfe
Thiago Corrêa

Enquanto os fãs já estão se preparando para apreciar as quase duas horas de show do Iron Maiden, os integrantes da “donzela de ferro” aproveitaram os dois dias de descanso no Recife para provar a gastronomia local e praticar esportes. O baterista Nicko McBrain tirou a tarde de ontem para praticar golfe no Caxangá Golf & Country Club, que abriu uma exceção e funcionou na segunda-feira especialmente para o inglês. O baterista, tido como um dos mais carismáticos da banda, chegou ao local às 11h15 da manhã e completou o percurso, de 18 buracos, às 15h34.

A partida foi disputada com um dos seus seguranças e David, diretor de vídeo da banda. “Nicko venceu, ele joga bem melhor que a gente”, reconheceu David. Enquanto jogavam, alguns fãs chegaram no clube e aguardaram o término do jogo para falar com o ídolo. “Esse vou guardar, colocar no quarto junto com uma foto”, disse o estudante de engenharia Rodrigo Aguiar, exibindo com orgulho prato de bateria com a assinatura de Nicko.

30
Mar
09

Iron Mania: Pelo Iron Maiden, vale todo sacrifício

Pelo Iron Maiden, vale todo sacrifício
Thiago Corrêa

Não tenha medo caso você se depare com um bando de pessoas, vestindo camisas pretas estampadas com caveiras. Não se trata de nenhuma seita satânica buscando sangue para um sacrifício a alguma criatura do inferno, mas apenas fãs de heavy metal que começaram a mostrar sua devoção pelos veteranos do Iron Maiden. A primeira apresentação do grupo inglês no Nordeste – amanhã, no Jockey Club de Pernambuco – tem dado um novo fôlego à paixão dos devotos do sexteto formado por Bruce Dickson, Steve Harris, Dave Murray, Adrian Smith, Janick Gers e Nicko McBrain.

As lojas de música têm sentido uma procura maior dos produtos do Iron Maiden. “As vendas aumentaram em LP, CD e EP; tudo o que for do Iron vende. E olhe que são raridades, coisas caras que custam em média R$ 120. Eu, que não trabalho com roupa, até peguei umas camisas para vender”, diz João Marinho, proprietário da Blackout. Também no embalo do show, o relações públicas Sidney Nicéas, desenvolveu uma estampa do Eddie, caveira que serve de mascote da banda britânica, especial para o show de amanhã, inspirada em tons da bandeira pernambucana.

“Participei de um concurso, mas não venci. A dificuldade é fazer algo original, por isso usei bandeira. Aí a galera começou a pedir, fiz uma pequena remessa, depois outra”, conta Nicéas. Mesmo sem ter a intenção de ganhar dinheiro com isso, o relações públicas já vendeu quase cem camisetas. Um fenômeno que também pode ser visto em outras capitais do Nordeste. “Fizemos 120 camisas personalizadas para a excursão que acabaram, restaram poucas oficiais, junto com CDs e DVDs que estão vendendo bem”, observa Adriano Dio, comandante da loja Records, de Natal (RN), responsável por uma caravana de sete ônibus para Recife.

Com ele, virão 350 metaleiros da capital potiguar que desembolsaram entre R$ 150 e R$ 420 para assistir ao show e voltar logo após a apresentação já para encarar o expediente. “Pelo menos quem não beber muito. Creio que umas 5h30 no máximos estaremos em Natal. Eu mesmo abrirei minha loja na quarta-feira”, explica Dio. Apesar da frustração de não ter conseguido levar o show para Fortaleza, os cearenses também vão marcar presença no espetáculo, apesar da disputa com Recife para sediar o show.

“Ficamos frustrados, mas essa não deixa de ser uma apresentação voltada para o Nordeste”, avalia Richardson Charles, que está trazendo cinco ônibus com 250 pessoas. Outras cinco caravanas cearenses também já estão fechadas com destino ao Jockey Club, embora esse número pudesse ser maior, caso o show ocorresse dia 18, conforme primeiro foi anunciado. “Como dia 19 é feriado estadual, houveram algumas desistências, mas ainda vai um número considerável”, observa Charles.

Em número menor, mas não menos valorosa, será a presença dos metaleiros do Piauí. De lá, estão vindo cerca de 75 pessoas em ônibus fretados que enfrentarão 1.200 KM de estrada. A caravana sai de 22h de hoje e tem previsão de chegada às 10h de amanhã. “Só pelo Iron mesmo. Tive que desembolsar uma grana para colocar duas pessoas no meu trabalho. Teve gente que pediu licença, adiamento de prova, tudo para ver o show”, relata o editor de imagem João Júnior.

30
Mar
09

Iron Mania: Os metaleiros também amam…

Os metaleiros também amam…
Thiago Corrêa

Poucas bandas despertam uma devoção tão forte quanto o Iron Maiden. Para os fãs, a paixão pelo grupo britânico de heavy metal não tem limites. O técnico em informática Karoly Muniz é um desses fanáticos que não poupam esforços para conhecer mais detalhes sobre a banda inglesa e seus integrantes. De revistas, pôsteres, LPs e CDs do Iron Maiden; o técnico em informática foi aprimorando seu gosto na procura por itens mais raros.

“Todos os meus CDs são importados, porque eles trazem discos bônus e vem com as letras das músicas, que não vem nas edições nacionais”, explica Muniz. Um dos xodós da sua coleção é o disco “Cross eyed Mary”, que foi lançado em apenas 1.500 cópias no mundo. Mas o maior tesouro dele são mesmo os ítens assinados pelos ex-vocalistas do Iron Maiden – Paul D’ianno e Blaze Bayley.

Em 2000, Muniz descobriu onde Paulo D’ianno estava hospedado no Recife e foi ao hotel na tentativa de conhecer o ídolo. “É um papel cabuloso ter que passar por essas filas de fãs, prefiro uma coisa mais informal, por isso driblo a galera”. Segundo ele, Paul D’ianno foi bem receptivo, ao contrário de Blaze Bayley. “Achei ele meio arrogante, não quis muita conversa”, lembra Muniz.

Mas nada que se compare às histórias de Sérgio “Maiden” Bravo. Sua paixão é tamanha que, em seu casamento, ele entrou na igreja ao som de “Feel of the dark” e já pensou em oficializar o apelido “Maiden” no nome. “Depois de três noites com minha mulher falando, eu desisti”, brinca ele. O fã chegou a conhecer o baterista Nicko McBrain em 2004 nos Estados Unidos. “Foi difícil de acreditar. Era aniversário dele e ele me deu uma baqueta, me ofereceu bolo”, recorda Sérgio.

Sua coleção, considerada uma das maiores do país, possui mais de mil ítens que equivalem ao preço do carro nacional mais cara e outro modelo sedan. Tudo devidamente catalogado, dividido entre o material que envolve a banda e outra parte em cima da produção solo dos seus integrantes. “Minha coleção é tão minuciosa que tenho um disco de Tony Moore só porque ele ensaiou com o Iron Maiden em 1977″, explica.

30
Mar
09

Iron Mania: Sinal de novos tempos

Sinal de novos tempos
Thiago Corrêa

Nem só de anônimos se constitui a legião de fãs do Iron Maiden. O show do grupo inglês amanhã, no Jockey Club de Pernambuco, também tem feito a alegria de alguns músicos da cidade, que ansiavam por esse momento de ver bandas internacionais de grande porte chegando a Recife. Embora siga uma linha mais punk, Cannibal, vocalista da Devotos, comemora a vinda da “donzela de ferro”.

“O Iron Maiden foi a primeira banda que gostei, escutava muito. É um grupo que eu ainda gosto muito de ouvir”, diz Cannibal. Para o vocalista, a apresentação da trupe de Bruce Dickson no Recife, bem como a do Motörhead no Abril Pro Rock, são indícios de que os tempos mudaram na cidade. “Esse circuito de shows internacionais estava demorando para chegar aqui. Um dia isso ia acontecer, a gente acabou sem ver muito coisa”, observa Cannibal.

Mas a banda que promete fazer o maior show do Nordeste também é motivo de chacota por parte de alguns, como Claudio N, do Chambaril, que em suas apresentações faz um cover de “The Trooper”, do Iron Maiden. “É um sarro que a gente fez. Para mim, ir ao um show do Iron Maiden hoje em dia, é o mesmo que ir a um show da Xuxa”, dispara Claudio N.

24
Mar
09

Os bastidores do show do Iron Maiden no Recife

Os bastidores do show do Iron Maiden no Recife
Thiago Corrêa

Contagem regressiva: falta uma semana para o show do Iron Maiden. Na expectativa da maior apresentação já vista no Nordeste, a Folha de Pernambuco conversou com Luiz Vieira da Silva, um dos sócios da Raio Lazer, produtora responsável por trazer a banda inglesa para o Recife na próxima terça-feira. Nesta entrevista, Lula, como é mais conhecido, fala sobre o processo de negociação com o grupo de heavy metal, as dificuldades encontradas para montar um evento desse tamanho, revela detalhes da apresentação no Jockey Clube de Pernambuco, comenta sobre o mercado de shows no Recife e aposta que, caso tudo dê certo, a cidade vai passar a receber a visita de atrações internacionais de grande porte.

Como fã do Iron Maiden, você achava que algum dia conseguiria trazer a banda pro Recife?
Não, mas desde os 12 anos que gosto do Iron Maiden, sempre ouvi a banda, minha vida toda sempre foi voltada para o rock. Em 1996, quando era do Downtown comecei a ter vontade de trazer e consultava São Paulo, rolou até fax quando ainda não era nem Bruce Dickson no vocal. Mas não deu para trazer. Aí dei uma parada, saí do Downtown, abri uma pizzaria e em 2001 voltei para o ramo de produção. E desde lá venho tentando trazer o Iron Maiden para cá.

Como foi o processo de negociação?
É um processo de confiança, não é financeiro. A gente foi entrando nas produtoras de São Paulo, fazendo trabalhos menores, ganhando confiança. Aí teve a oportunidade, o pessoal disse pague amanhã, a gente depositou e pronto. Foi assim, é rápido. Amanhã tem que depositar “X” e nós pagamos. Aí fechamos os shows de Alanis Morissette e Iron Maiden com a Mondo Entretenimento, foi uma negociação dupla.

Quanto tempo durou isso?
Foi um ano de negociação com a Mondo. Já antes da Mondo, a gente investiu na T4F, mas ela perdeu o show para a Mondo. Depois descobri que era a Mondo, passei um ano negociando com eles e fechamos. Para vir para Recife foi uma luta grande, o Iron queria ficar só pelo Sudeste mesmo e depois ir para a América do Norte. Convecemos eles a vir para cá, dizendo que ia ter um público legal e foi uma pentelhação de um ano, ligava para a Mondo quase todo dia. Até que eles ligaram dizendo que amanhã tinha que pagar e nós arrumamos o dinheiro.

Qual foi o custo?
É um investimento alto, pelo contrato não podemos falar, mas é no top, beirando quase US$ 1 milhão.

Da banda ou de tudo?
Da banda. No total é na base de R$ 3 milhões.

Como se conseguiu isso?
Fomos conseguindo, o patrocínio é pequeno, foi uma merreca. Foi na tora mesmo, convencemos algumas pessoas e elas entraram comigo e pronto. É um pool de empresários, conversei com todo mundo, quatro empresários toparam e entramos no risco acreditando que tudo vai dar certo. Tem que superar os 20 mil pagantes.

Como está as vendas?
Ainda não decolou, mas a perspectiva é que decole na semana do evento. Ainda não chegou no satisfatório, não estou mais nem acompanhando isso, para falar a verdade. Esperamos pelo menos 20 mil pessoas para poder valer a pena. Queria que desse 25 mil, mas se der 20 mil já dá para fazer um bom show.

Dá medo quando você pensa nisso?
Não. Tinha medo quando entrei, mas agora já foi.

No show em São Paulo, você ficou observando detalhes da estrutura do evento. O que você aprendeu com isso?
Aprendi a não errar como eles erraram. Na verdade a gente não precisava aprender com eles, porque a gente já tinha fechado o palco, tudo melhor. Todo esse esquema a gente já tinha formatado na cabeça, fui ver apenas detalhes, faltava algumas coisinhas. Detalhes de backstage, o que a banda quer e o que não quer. Mas em termos de produção mesmo, não aprendi nada, não. O som daqui é melhor, os telões de LED são muito melhores, contratamos a melhor empresa. Aqui teremos três telões de 7 metros por 5, lá foram dois de 6X4 que não funcionaram. Nosso palco é melhor, de alumínio, com cobertura.

Que diferenças o show de Recife terá em relação ao de São Paulo?
O Eddie (robô do mascote da banda) vem, só não vem a múmia que surge do fundo do palco. O restante vem, os fogos que lá não funcionaram, a iluminação, tudo completo. Só esse detalhe que não vai ter.

Quais foram as maiores dificuldades para se trazer esse evento?
Tudo está sendo difícil. Arrumar um lugar para o show foi complicado, tentamos negociar com o Santa Cruz para fazer no Arruda, não conseguimos. Fomos para o Sport, também não conseguimos. Não tinha outra área, descobrimos o Jockey e estamos tendo que reformular ele. Está chovendo, prejudicando as obras e estamos tendo que fazer tudo, terraplanagem, um investimento altíssimo. Mas vai dar tudo certo, o show vai ser perfeito.

E com relação a mão-de-obra?
Os engenheiros são todos de São Paulo, o problema é que esse palco não tem aqui. É um palco especial, com 23 metros de largura e 14 de altura. Esse show tem que dar certo para dar o pontapé para grandes eventos. Por isso que eu digo, mesmo quem não gosta do Iron Maiden tem que ir, porque esse show é especial. A banda arrasa e, fazendo uma produção bem feita, vira um espetáculo inesquecível.

Quando fechou com o Iron Maiden, você achava que seria tão complicada essa pré-produção?
Rapaz, quando fechamos o dólar era para ficar em R$ 1,70. Toda perspectiva que fizemos daria para pagar o show com oito mil pagantes. E aí o dólar subiu para R$ 2,50. Só isso aí você vê que, para zerar o show e começar a ganhar dinheiro, essa perspectiva de público subiu de oito para 16 mil pagantes. É coragem.

Você acha que esse show vai ser um divisor de águas para Recife e que, a partir dele, a cidade vai começar a receber shows maiores?
Dando sucesso, dando público, o Recife dá o pontapé para grandes eventos.
Por conta do retorno financeiro de vocês ou porque isso relfete lá fora?
O Iron vai vir, vai gostar e, sendo sucesso, isso também repercute lá fora. Como Alanis repercutiu, o Iron também vai dizer: olha, vai para lá que é bom. Aí a Mondo vai ter interesse em trazer mais coisas para cá e talvez a gente até feche diretamente com as bandas no futuro, que é nosso intuito. Esse show no Recife é comprado, não é bilheteria. Nos outros do Brasil, todos são da Mondo com a bilheteria do Iron Maiden, esse é o único que é comprado.

E vocês já pensam em trazer outras bandas desse porte?
Pode vir o Rush, o Metallica, o Red Hot Chilli Peppers e outras bandas aí. Vamos torcer para dar certo. Eu ia trazer o Black Sabbath, mas não consegui fechar. Mas para esse tipo de formato, acima de 15 mil pessoas, só bandas assim como Rush, Metallica e Red Hot Chilli Peppers. Tem muita coisa aí pela frente.

Você acha que o mercado de grandes shows demorou para engrenar aqui?
Recife sempre foi muito forte culturalmente. O mercado daqui sempre foi muito conhecido, mas a gente que é doido mesmo. Mas está vindo muito show para aqui e as bandas estão vindo mesmo mais caras por conta do dólar. Por isso que os ingressos são mais caros, isso está sendo o grande atrativo para trazer shows. A área VIP é a grande alavanca para trazer atrações internacionais para cá, ela paga 50% do show.

17
Mar
09

Cobertura: Iron Maiden (em SP)

Iron Maiden bate
recorde de público
com show de clássicos

Thiago Corrêa*
 
SÃO PAULO – Contagem regressiva: faltam exatamente duas semanas para o Iron Maiden tocar pela primeira vez no Recife. A exemplo do que aconteceu na apresentação da banda inglesa em São Paulo, no último domingo, poucas vezes a palavra show será tão bem empregada. Afinal, as cerca de 20 mil pessoas esperadas para encher o Jockey Clube de Pernambuco, dia 31, poderão se deslumbrar com todo o aparato cênico que envolve a turnê “Somewhere Back In Time” e impressionou os 68 mil fãs presentes no Autódromo de Interlagos, na capital paulista.
 
O espetáculo envolve trocas de painéis, mudanças de figurino, cenário no estilo egípcio inspirado no disco “Powerslave” (1984), robôs surgindo no palco, labaredas, fogos de artifício e dois telões de LED. Mais que isso, envolve uma banda de músicos veteranos ainda em pleno vigor técnico, mostrando empolgação de grupo iniciante para a multidão que bateu o recorde de público da banda. Entre os fãs, o casal Wagner e Carla Santana, de 34 anos, chamava a atenção por antecipar o encontro do Iron Maiden com Pernambuco, carregando a bandeira do Estado. “A bandeira é a marca registrada da gente, vai para todo jogo de futebol e show que nós vamos”, explica Carla.
 
Mesmo aos 50 anos de idade, o vocalista Bruce Dickson continua subindo e descendo pelo cenário, percorrendo o palco de canto a canto e exibindo um poderio vocal, cheio de variações de tom. Carismático, Bruce conversou com o público, desculpou-se pelo atraso de mais de uma hora e ainda soube usar a experiência para pedir aos fãs que dessem dois passos para trás, a fim de aliviar o sufoco na fila do gargarejo. Uma exibição capaz de fazer inveja até mesmo de Lauren Harris, de 24 anos, representante da nova geração metaleira.
 
Filha do baixista Steve Harris, Lauren responsável pelo show de abertura na turnê. Apesar do virtuosismo do guitarrista Richie Faulkner e do esforço da cantora no palco, a apresentação só tem fôlego para meia hora mesmo. E é isso o que dura, porque o palco precisa ser montado para o sexteto inglês formado por Bruce, Steve, o baterista Nicko McBrain e o trio de guitarristas Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers. O show é anunciado com imagens do documentário “Flight 666” nos telões de LED e engrena de vez com “Aces High”, de “Powerslave”.
 
Apenas o início do saudosismo que envolve clássicos do Iron Maiden dos anos 80, porque ainda estavam por vir “Rime of the Ancient Mariner”, “The Trooper” e “Iron Maiden”, que conta com a aparição de Eddie, caveira em versão múmia que serve de mascote para o grupo, saindo de dentro de uma tumba no painel do fundo palco. No bis, o grupo reaparece com a estrondosa “The Number of the Beast” e emenda com “The Evil that the Men Do”, com nova aparição do Eddie, dessa vez um robô articulado que caminha pelo palco.
 
* O jornalista viajou a convite da Raio Lazer