Posts Categorizados ‘jazz

20
Mai
09

Kind of blue – Miles Davis

“Kind of blue” de Miles Davis é
disco para ouvir por mais 50 anos

Thiago Corrêa

É uma pena que não se possa escrever de improviso no jornal. As técnicas usadas por Jack Kerouac para escrever o livro “On the road” poderiam ser vistas como motivo de demissão por justa causa. Afinal, consta que o consumo de benzedrina esteve entre as estratégias do escritor americano para aproximar sua narrativa aos improvisos do jazz. Mas bem que essas sensações seriam bem vindas para escrever sobre “Kind of blue”, álbum clássico de Miles Davis que completou meio século este ano.

Gravado em apenas duas sessões no Columbia 30th Street Studios, em Nova Iorque, o disco completa 50 anos com uma edição comemorativa da Sony Music. O álbum traz dois CDs e um DVD com os vídeos “Celebrating a masterpierce” e “The sound of Miles Davis”. O primeiro é um curto documentário que foca no processo de construção artística do disco, enquanto o outro se trata de um programa de televisão exibido em 1959 com as participações de Miles Davis e John Coltrane.

Embora o DVD seja um grande atrativo, a parte estritamente musical não fica atrás. Nessa edição, que chega com a promessa de ser definitiva, estão versões originais, gravações anteriores que já remetiam ao disco e restos de estúdio como as tomadas alternativas de “Flamenco sketches”, “Blue in green”, “All blues”, “So what” e “Freddie freeloader”. São extras que nos fazem admirar ainda mais a ebulição criativa gerada pela confluência de talentos reunidos em “Kind of blue”.

No mesmo disco estão o trompete de Miles Davis, o baixo de Paul Chambers, os pianos de Bill Evans e Wynton Kelly, os sax de John Coltrane e Cannonball Adderley e a bateria de Jimmy Cobb. Uma junção de peças que ocorreu no momento certo. Segundo o crítico Francis Davis, em texto que recheia o encarte, “Kind of blue” deu asas aos sete criadores do disco, que partiram para novos vôos artísticos, abrindo novos horizontes jazzísticos.

05
Mai
09

Milton & Belmondo – Milton Nascimento

Milton Nascimento em versão jazz
renova músicas dos anos 60 e 70

Thiago Corrêa

Fazer um disco de regravações nem sempre significa que o artista se encontra em decadência e está vendendo a alma em busca de uns trocados. Há casos em que o reencontro com canções antigas podem acrescentar novos aspectos às composições, descobrindo sonoridades ainda não exploradas. Exemplo disso é o álbum “Milton & Belmondo”, que marca a parceria entre o músico mineiro Milton Nascimento e os irmãos Lionel e Stéphane Belmondo.

O disco foi gravado em setembro de 2007 no território francês e contou com o auxílio das cordas da Orquestra Nacional da França sob regência do maestro Christophe Mangou. Com o incremento de arranjos de Lionel Belmondo e Christophe Dal Sasso, as músicas da fase inicial da carreira de Milton Nascimento ganharam um requinte jazzístico que exalta a qualidade vocal do cantor mineiro e o preciosismo de suas composições.

Quem teve a oportunidade de assistir ao show do quase septuagenário Sonny Rollins ano passado no extinto TIM Festival, sabe do efeito revigorante do jazz. A ação rejuvenescedora do ritmo americano mostra seu poder outra vez atingindo com máscaras de oxigênio canções que já passam dos 40 anos de Milton Nascimento, como “Canção do Sal”, “Travessia” e “Morro Velho” do álbum “Travessia” de 1967.

O álbum traz dez faixas, sendo sete regravações de Milton e um trecho instrumental da sua “Ponta de Areia”, música cuja versão completa abre o disco. A composição foi gravada em 1975 para o disco “Minas”, assim como “Saudade dos aviões da Panair”, que também entrou nesse novo trabalho.
Do mineiro ainda tem “Nada será como antes”, do “Clube da Esquina”, de 1972, e “Milagre dos Peixes” do álbum homônimo de 1973. Completam o disco outras duas faixas instrumentais – “Oração” de Cristophe Dal Sasso e a junção “Berceuse / Malilia” de Maurice Ravel e Lionel Belmondo.

28
Fev
09

Jazz gringo com toque brasileiro

Jazz gringo com toque brasileiro
Thiago Corrêa

Apaixonado pela música brasileira, o saxofonista americano Peter Barbeau desembarcou pela primeira vez em Pernambuco há cinco anos. De lá para cá, entre idas e vindas, o americano aprofundou seu interesse pelos ritmos pernambucanos e tem aproveitado para interagir com músicos locais, fazendo apresentações por Recife e Olinda.

Com data para voltar marcada para o dia 18, o saxofonista mostra um pouco do que aprendeu fazendo uma série de apresentações nas próximas três quintas-feiras no Blues Bar, em Olinda, e outros três shows às 19h dos domingos na Casa da Moeda, no Recife Antigo. Para essas apresentações, Peter Barbeau conta com a ajuda do contrabaixo de Fernando Rangel, do baterista Yohann Bremmer e da cantora Catarine Machica.

Juntos, eles fazem experimentações em cima de ritmos como o coco, samba, candomblé e a santeria, este originário de Cuba. Mas o que prevalece no show mesmo é o jazz. “Eu adoro esse tipo de música, Aurinha do Coco é uma heroína para mim. Agora essa parte representa apenas cerca de 10% do show, a maioria vai ser de jazz”, explica Barbeau. No repertório estão composições de Charlie Parker, Miles Davis e Thelonious Monk.

20
Fev
09

Garanhuns Jazz Festival 2009

Retiro ao som do jazz em Garanhuns
Thiago Corrêa

Carnaval também é tempo de jazz. O ritmo americano, que tem se espalhado em festivais para o público que não curte a folia, também vai se consolidando como alternativa para Garanhuns. Começa amanhã a segunda edição do Garanhuns Jazz Festival, que ocorre até segunda-feira na Terra das Flores. Ao todo, haverá 17 apresentações, divididas entre dois os palcos montados no Parque Van Der Linden e na Praça Guadalajara.

A abertura do palco principal, na Guadalajara, será de responsabilidade do saxofonista carioca Carlos Malta, que se apresenta acompanhado da Pífano Folclore Verde, grupo centenário natural de Garanhuns. Em seguida, tocam a cônsul americana Kate Bentley e a Clay Ross Band, que também se apresenta no Rec-Beat. Fechando a noite, o angolano Nuno Mindelis mostra seus dotes de guitarrista virtuosi.

No domingo, a Dixie Square Band dispensa os palcos e faz shows intinerantes, levando o jazz a praças, hotéis e restaurantes. Na Guadalajara, os equatorianos da Nuages Jazz iniciam os trabalhos no palco, sendo seguida pelos paulistas da Igor Prado Band, a grande aposta do curador do festival Giovanni Papaléo. “Os meninos são impressionantes, em breve eles estouram”, opina Papaléo.

A noite de domingo ainda conta com as apresentações de Lancaster & The Bluz, pioneira do blues em Garanhuns, e o americano veterano James Wheeler. No último dia de festival, tocam o carioca Marcelo Martins, acompanhado da Street Band, e o paulista Robson Fernandes, junto com a Uptown Band. Na segunda metade da noite, apresentam-se as paulistas da Blues Jeans e, por fim, a cantora Izzy Gordon, baseada no repertório do seu primeiro disco.
 
PROGRAMAÇÃO
Amanhã
20h Carlos Malta (RJ) e Pífano Folclore Verde
21h Kate Bentley e Clay Ross Band (EUA)
22h30 Nuno Mindelis (Angola)

Domingo
20h Nuages Jazz (Equador)
21h Igor Prado Band (SP)
22h Lancaster & The Bluz
23h James Wheeler (EUA)

Segunda-feira
20h Marcelo Martins (RJ) e Street Band
21h Robson Fernandes (SP) e Uptown Band
22h Blue Jeans (SP)
23h Izzy Gordon (SP)

27
Nov
08

Agenda: Jazz Porto 2008

Sol, praia e jazz
Thiago Corrêa

O cenário de praia, piscinas naturais e sol de Porto de Galinhas ganhará uma trilha sonora incomum esse fim de semana. De hoje a sábado, o balneário sedia o Jazz Porto 2008 – II Festival de Jazz e Blues em Porto de Galinhas. Se na primeira edição o evento atraiu um público de mil pessoas, este ano a organização do festival estima ampliar a 5 mil esse número. Nesse intuito, o Jazz Porto está levando 11 atrações nacionais e internacionais para uma série de concertos gratuitos no balneário.

O festival abre hoje (restaurante Itaoca, às 20h) com o lançamento do disco “Ar Puro”, de Jefferson Gonçalves. Em seguida, às 21h, ele se apresenta no Palco das Piscinas Naturais ao lado da Uptown Band. A noite fecha com o show da cantora carioca Taryn Szpilman, que já tocou por aqui no Rec Beat de 2001. Ela será acompanhada da Uptown Band e do baterista Cláudio Infante, que tem no currículo trabalhos com Marisa Monte e Ney Matogrosso.

“Taryn segue um estilo de jazz rápido, marcado pela versatilidade e pela teatralidade no palco”, explica o curador do festival Eduardo Cortes. Apesar de explorar um universo mais intimistas, outra voz feminina que promete roubar a cena no evento é a paulista Izzy Gordon, que se apresenta no sábado. “O festival tem disso, de mostrar diferentes vertentes do jazz. Izzy faz uma linha mais cool jazz, com uma voz aveludada, tranqüila, com influências da Bossa Nova”, observa Cortes.

O Jazz Porto ainda terá nomes como o do guitarrista americano Kenny Brown, com show sábado, e do baterista Andrew Scott Potter, atração de sexta-feira. No fim de noite, durante o fim de semana, os restaurantes Capitania do Sabor e Picanha do Tio Dadá abrigam jam sessions entre os músicos locais e as atrações do festival.

Com essas atrações, nem mesmo o fato desse ser o quarto evento de jazz do semestre tira otimismo do curador do festival em atingir a expectativa de público. “O jazz está na moda. Nosso diferencial é o destino. Nada melhor do que ouvir música boa e de graça em Porto de Galinhas”, avalia Cortes.

17
Nov
08

Cobertura: Otto + Recife Jazz Festival

Otto rouba a cena
em festival de jazz

Thiago Corrêa

Falem o que for de Otto. Digam que ele não consegue formar frases com mais de cinco palavras, que é desafinado ou que sua música ficou antiga, presa ao passado. Pode até ser, mas insinuar falta de talento a ele já se configuraria uma injustiça. Em seu show na Praça do Arsenal, marcando o início do Festival de Circo do Brasil, sexta-feira; o bicho-que-pula mostrou que suas qualidades não são poucas.

O cantor, natural de Belo Jardim, é carismático, tem presença de palco, coleciona uma série de hits que sobrevivem ao tempo e, o mais importante, sabe montar uma banda como poucos. Acompanhado da Jambro Band – time que reúne nomes como Pupillo (Nação Zumbi), Luciano Curumim (Curumim, Guizado) e Fernando Catatau (Cidadão Instigado) –; Otto conseguiu inserir uma semente da balbúrdia carnavalesca no público que se aglomerou em frente ao palco montado na Praça do Arsenal.

O bicho-que-pula fez uma apresentação baseada nos três discos de carreira (“Samba pra Burro”, “Condom Black”, “Sem Gravidade”) e ainda soltou músicas do seu próximo álbum. Mas o que o público queria mesmo era músicas como “Dias de Janeiro”, “Por que”, “TV a Cabo” e “Pra Quem Tá Quente”, pedidos devidamente atendidos. E a interação com a platéia foi tanta que Otto não se conteve e mostrou porque ganhou o apelido de bicho-que-pula. Jogou-se na platéia e longe do palco mesmo cantou “Bob”.

O show ainda teve outros momentos curiosos como as participações especiais do pianista-prodígio Vítor Araújo e de Ortinho. Nelas, o sentimento foi o de que o Carnaval está chegando. Com o primeiro, Otto cantou “Evocação Nº 1”, de Nelson Ferreira, e com Ortinho emendou uma cirando. Visivelmente feliz, Otto custou a sair do palco, resultando num atraso de mais de uma hora ao reinício do Recife Jazz Festival.

Já passados 20 minutos após a meia-noite, o festival retomou sua programação que se iniciara mais cedo com apresentações de Bráulio Araújo, Marcos Diniz & Mr. Trio e o argentino Francisco Lo Vuolo na Torre Malakoff. A segunda metade do evento começou destoando do clima de baile deixado por Otto.

Numa falha da organização, o show em seguida foi o do pianista americano Jeff Gardner. Ele até mostrou virtuosismo técnico, tentou ser simpático falando em português, tocando um releitura do baião; mas acabou sendo prejudicado porque sua apresentação exigia atenção e um ambiente intimista, mais fechado.

O público, que já havia se dispersado durante o show do americano, espalhou-se ainda mais após os 20 minutos de intervalo. O dano já estava feito e nem a tentativa de Spok e Chorando em PE em retomar o espírito carnavalesco fez efeito. Na já avançada madrugada, os franceses do Briegel Bros Band encerraram o primeiro dia do Recife Jazz Festival.