Lula Queiroga doma nervosismo de
estreia e já fica de olho no mundo
Thiago Corrêa
O primeiro show de uma turnê é sempre um teste. Por mais experiente que seja o artista, esse momento inicial é permeado pela insegurança de revelar, em cima de um palco, para um bando de desconhecidos, algo que foi criado no âmago da intimidade. Embora tenha sofrido com o nervosismo de estreia, a apresentação de Lula Queiroga no lançamento do disco “Tem juízo mas não usa”, quinta-feira no Teatro da UFPE, passou por média e deu sinais de que o espetáculo está no caminho certo.
O show começou com um Lula Queiroga enrijecido no palco, ainda em processo de conquistar confiança. Sua voz perdida, ficou em segundo plano, ofuscada pelo poder do som dos instrumentos durante as três primeiras, todas do novo álbum – “Altos e baixos”, “Você não disse” e o novo hit “Manga, Graviola, Hortelã”, na qual o cantor já ameaçava se soltar. Após tocar “Eu no futuro”, faixa de “Aboiando a vaca mecânica”, a apresentação entrou num estágio mais intimista com uma série de quatro músicas lentas.
Nessa parte, iniciada por “Noite Severina”, a participação do violão de Vinícius Sarmento deu um especial na melancolia do samba “A telefonista na floresta predial”. Depois da pausa, para se tomar fôlego, o show voltou a retomar vigor com “Pobretown”, engrenando de vez com “Atirador”, que teve a desenvoltura de Ortinho, e culminou com dois dos maiores sucessos de Lula Queiroga – “Roupa no varal” e “2 olhos negros”.
Mas o ápice mesmo, veio com o medley “Geusa” e “Ah, se eu vou”, onde as participações do carisma de Silvério Pessoa e a delicadeza do som de Zé da Flauta se mostraram imprescindíveis. Parecendo já estar sem o peso da estreia, Lula Queiroga encerrou o show com “Discovery”, cuja letra fala em “Viajar o mundo inteiro pra ver / Pra ver como o mundo é grande”, numa alusão a expectativa em mostrar o novo trabalho a outros públicos.