Os cenários da música
Thiago Corrêa
Quarta-feira, 16 de dezembro, 17h. Enquanto as ruas de Recife se congestionavam com os carros de trabalhadores no caminho de volta para casa, um punhado de gente aproveitava o tempo para fazer uma viagem no Teatro de Santa Isabel, na noite de abertura da 11ª edição do Virtuosi. Apesar de permanecerem sentados no mesmo lugar, o público foi transportado a outros cenários através da luta de homens com seus instrumentos. Um duelo que se evidenciava em expressões faciais, sentimentos, músicas e aplausos.
Experiências sonoras que serviram de portais para tempos medievais, filmes da década de 50 e sobretudo, a selva. Se o violino de Nicolas Koeckert, o piano de Kristina Miller e o trombone do sueco Christian Lindberg resgataram lembranças em nossas memórias; Naná Vasconcelos nos pegou pelas mãos e levou a platéia para conhecer a floresta amazônica em pleno Teatro de Santa Isabel. Através de delays, instrumentos de percussão e voz; o homenageado deste ano do Virtuosi criou índios, pássaros, regeu a platéia e nos fez navegar pelo rio Amazonas.
Um momento mágico que coroou uma noite memorável que começou com a bela série de concertos sobre as composições de Marlos Nobre, executadas pelo próprio pernambucano, mais Leonardo, Rafael e Ana Lúcia Altino. Em seguida, destaque para o dueto entre Nicolas Koeckert e Kristina Miller tocando o “Concerto Fantasia sobre a Ópera ‘Porgy and Bess’”, de Gershwin. E ainda a apresentação de Lindberg, com as bem humoradas “Bombay Bay Barracuda” e “Solo for Sliding Trombone”, de John Cage. O Virtuosi continua sua programação esse fim de semana com séries de concertos às 17h, 19h e 21h no Teatro de Santa Isabel.