Rec-Beat faz descer
o morro e os Andes
Thiago Corrêa
Criticado em seu início por trazer uma programação voltada para o rock’n'roll durante o período de Momo, o Rec-Beat, agora em sua 14ª edição, é considerado um exemplo da característica multicultural do Carnaval recifense. Para manter essa imagem, o festival volta a investir nas polarizações entre o desconhecido universo musical da América Latina e a música alternativa produzida no Nordeste. Ao todo serão 20 atrações, sendo cinco latinas, duas nordestinas e nove pernambucanas.
“Teremos desde uma atração eletrônica do Chile a algo mais voltado para a tradição do Uruguai. Isso também reflete minha relação com uma associação de música latina (Adimi) que tem me aberto a participação em outros festivais”, explicou o produtor Gutie, ontem, durante a coletiva de divulgação do evento. Dos países vizinhos, fazem show por aqui a Original Hamster (Chile), Desorden Publico (Venezuela), Nuages (Equador), Giovanna (Uruguai) e Bomba Estereo (Colômbia).
Fora dos eixos latinos e nordestinos, completam a grade a carioca Silvia Machete, a angolana Wysa, os americanos Clay Ross e o poderoso-chefão Afrika Bambaataa, provavelmente o nome de maior peso já trazido pelo festival. “Sempre trouxemos referências, mas não tanto quanto Afrika Bambaataa, que é de fato uma referência mundial. Isso mostra a dimensão que o Rec-Beat está adquirindo”, analisou o produtor.
Mas, apesar de todas essas atrações internacionais, quem mais chamou a atenção foi a presença de João do Morro na programação do Rec-Beat. “João tem um trabalho interessante e não é a primeira vez que o Rec-Beat tem uma atração irreverente, já tivemos Rogério Skylab e a Textículos de Mary”, defendeu Gutie. Da nova safra local, também estão escaladas os grupos Catarina & Banda Kola na Matéria e Ska Maria Pastora.
A escolha das outras atrações locais foi pautada pelo lançamento de novos trabalhos, como o do DJ Dolores, Eddie, River Raid e Junio Barreto. Juntam-se a elas os shows especiais de Vitor Araújo numa formação de trio e do Cordel do Fogo Encantado, que comemora 10 anos de estréia. Na programação também está prevista a participação da Camarones Orquestra Guitarrística (RN), Burro Morto (PB) e dos paulistas da Dixie Square Band no RecBitinho.
Apesar da redução no patrocínio da Prefeitura do Recife (que era de R$ 340 mil em 2008 e caiu para R$ 320 mil este ano, valor que reduz ainda mais com os 17% de imposto), o Rec-Beat conseguiu manter a qualidade da programação graças ao interesse das bandas e do acordo com o Sesc Pompéia, que recebe a versão paulista do festival no fim de semana pós-Carnaval. “É como se cada cidadão pagasse R$ 2,50 para assistir aos shows, o custo com o festival é quase simbólico”, observou Gutie.
PROGRAMAÇÃO
Sábado (21/2)
20h Catarina e Banda Kola na Matéria
21h Camarones Orquestra Guitarrística (RN)
22h Original Hamster (Chile)
23h10 DJ Dolores
00h30 Afrika Bambaataa (EUA)
Domingo (22/2)
20h River Raid
21h Clay Ross (EUA)
22h Vitor Araújo Trio
23h10 Wysa
00h30 Eddie
Segunda-feira (23/2)
17h Recbitinho – Dixie Square Band (SP)
20h João do Morro
21h Nuages (Equador)
22h Ska Maria Pastora
23h10 Silvia Machete (RJ)
00h30 Desorden Publico (Venezuela)
Terça-feira (24/2)
20h Burro Morto (PB)
21h Junio Barreto
22h Giovanna (Uruguai)
23h10 Bomba Estéreo (Colômbia)
00h30 Cordel do Fogo Encantado